aluga-se


  Minha profissão exige que eu trabalhe com a realidade, com a frieza dos fatos. Por isso, tudo que eu mais quero, quando estou fora da redação, é a fantasia. Visitando a exposição “Aluga-se”, notei que boa parte dos artistas exploram a matéria prima do meu trabalho: a realidade.  Claro, de maneira aumentada ou ficcionalizada. Mas a maioria tem lá seu pé no mundo real — seja por meio de telas hiper-realísticas, fotografias ou vídeo, no caso de Sommus, de Renato Pera (veja também o trabalho Cascavel).

Um grupo de artista ocupou uma bela casa de arquitetura modernista e realizaram site-specifics ou utilizaram o espaço exporem alguma obra. A maioria ainda é de jovens artistas, mas seus trabalhos já demonstram maturidade. Um exemplo é a obra de Rosana C. Naday. O casco negro de um barco, que ocupa todo um cômodo, é pura poesia (para agradar um amigo retirei o termo “poesia”) impactante. Há o estranhamento de um barco dentro de um quarto e, ao mesmo tempo, aquela tristeza de algo preso, sufocado – sim, uma certa angustia. Uma tristeza de algo que naufragou e agora está lá encalhado. Um trambolho impedindo o fluxo do ar.

Outro trabalho que também me impactou foi o do meu amigo Renato Pera. Ele já tinha comentado que faria um trabalho para exposição, mas seu projeto inicial tinha sido “vetado”. A ideia era pintar toda a casa de magenta. Ultimamente, porém, quase todos os nossos sonhos são possíveis no ambiente virtual. Renato reconstruiu a casa virtualmente e a pintou de magenta. (Um magenta nada doce do cor de rosa. Um magenta que, apesar de ser uma cor quente, passa uma frieza, uma obscuridade.) Recriada a casa, ele atuou como um “cinegrafista” e filmou aquele ambiente vazio. No vídeo, transparece aquela tensão de quando jogamos vídeo-game e temos que dirigir a visão da personagem não sabendo o que nos espera a cada passo. Se isso não bastasse, a trilha pesada, de filme de suspense, carrega ainda mais cada cena, tornando todo aquele cenário ainda mais assustador. Apesar do texto de parede fazer referência a sonhos, Sommus, ao meu ver, tem mais jeito de pesadelo.

 

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É arte: a atitude desses organizadores e artistas de realizarem exposições e eventos como esse.

É fato: Hoje é o último dia da mostra. Então, CORRA!

:: Aluga-se – Avenida São Gualter, 1941, Alto de Pinheiros, São Paulo. 3ª/dom 12h/ 20h. Até 30/06.

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