florence and the machine


Para alguém que talvez não leia esse post.

Ter lido O Pequeno Príncipe no fim da infância não deve ter feito muito bem. Eu me sinto completamente responsável por aquilo cativo. Completamente. Ando preocupada com alguém e minhas queridíssimas amigas condenam essa preocupação. Talvez elas estejam certas. O fato, porém, é que não consigo o contrário. A imensa sintonia que tínhamos ainda não perdeu o sinal. Se eu pudesse, gostaria de tirá-lo da torre como o príncipe da Rapunzel. Mas, às vezes, é melhor mesmo manter o silêncio, a distância. Quiçá, eu esteja ajudando mais assim. Acredito, no entanto, que se ele conhecesse Florence and The Machine esses dias de cão iriam acabar rapidinho. Gostaria que ele fizesse com eu, no momento falling, e pontuasse seu recomeço.

Era domingo de manhã e entrava uma brisa morna pela janela, eu estava amargurada. Precisava por aquilo pra fora. Então, coloquei Dog days are over no último volume. De olho fechado, a música entrava pelos meus ouvidos, eu cantava tímida e baixinho. Aquela canção foi ganhando força dentro de mim. Comecei a cantar mais alto. Os pés começaram a se mover no compasso. As lágrimas rolaram. A música, a brisa, o movimento, me ajudaram a entrar num transe. O que era uma cantoria acima do tom se tornou um grito de ordem. Os passos cadenciados se tornaram pulos frenéticos. Suava, pulava, gritava. A música pulsava em mim. Até que as forças acabaram e eu despenquei. Fiquei um tempo no chão só ouvindo o meu coração. Quando levantei, decidi: dog days are over. Claro que exitem recaídas. Mas é importante pontuar o fim do sofrimento para recomeçar.

Florence and the machine foi uma boa descoberta para eu me embriagar. (Quem não fuma, não bebe, não tem vício algum precisa afogar as mágoas em algum lugar.) São verdadeiros vinhos tintos as graciosas versões de Postcards from Itally [acima] e Oh, darling [abaixo]. Florence tem um quê de Regina Spektor. Ambas são muito experimentais e têm músicas muito fortes. Mas para ouvir Regina, especialmente seus primeiros álbuns, eu preciso estar mais equilibrada. Florence é daquelas: sofra, mas vamos lá. LEVANTA! A vida continua, garota! É para curtir uma fossa mais decente, diria Tainá. Em algumas letras há um gostinho de vingança, mas que no fundo parece não valer a pena. Algumas melodias são para fazer o coração bater, os passarinhos cantarem. Florence tem ritmo. Tem pulso. Marcação. É vida. É sentimento. É o sofrimento inevitável. É para curtir agora a saudade daquilo que foi tão bom.

É arte: os clipes são lindooos! Verdadeiras obras de arte. Cada um com a sua estética, mas todos muito bonitos.

É fato: como diria Baudelaire, é preciso estar sempre embriagado. E a minha escolha é a poesia, a música, a arte!

É preciso estar-se, sempre, bêbado.
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-os para a terra,
é preciso embebedar-vos sem trégua.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.

E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio,
sobre a grama verde de uma vala,
na solidão morna de vosso quarto,
vós vos acordardes,
a embriagues já diminuída ou desaparecida,
perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são;
e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão:
“É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”

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2 comentários sobre “florence and the machine

  1. Eu li o post, sim.

    Talvez suas amigas tenham razão, acho eu não mereceria que se preocupasse tanto comigo. Mas você continua muito, muito fofa, e muito, muito especial, né? 🙂

    A coisa não anda fácil mesmo, mas às vezes começo a sentir que o pior já passou. Sabe, talvez eu precisasse mesmo passar por esses “dog days” – não que eu goste de sofrer ou me castigar, cruz credo!, mas em certos momentos essa dor é importante.

    Dog Days are almost over, mas eu vou chegar lá. Ah, vou.

    De qualquer forma, obrigado pela preocupação. Eu te adoro.

    PS: Se quiser, depois de ler, pode apagar esse comentário, tá? Fique à vontade. Beijo.

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