vida


“Viver é sucinto”, dizia Leminki. Na peça Vida, o diretor  Marcio Abreu queria travar um diálogo com a obra do poeta. Mas, ao meu ver, não conseguiu. Não que eu seja uma especialista em Leminski ou coisa do gênero. LONGE DISSO. Já li, porém, alguns livros do autor e não enxerguei um vírgula dele no espetáculo. A peça não consegue ser sucinta, e sim, prolixa. Voltas e mais voltas e nenhuma conclusão. Diálogos que se repetem, repetem, repetem… Eu cortaria facilmente 1h. Um história cíclica, chata, com alguns bons momentos de riso, só. Pensando nisso, talvez o título tenha tudo a ver, afinal, a vida é um pouco assim. Histórias que se repetem, muitos momentos de tédio e alguns felizes.

Numa sala fechada, em que faz calor, quatro pessoas ensaiam uma apresentação. A convivência forçada faz com que eles se relacionem, revelando o comportamento e dilemas de cada um. A clichê mulher TPM que não para de falar. O homem em crise – de idade ou de sexo, não entendi. Um pessoa mais reservada que prefere sempre se manter em silêncio. Outro com características de apaziguador e mais sensível, que não sabe se vai ou se fica. Ali, ninguém se entende, diálogos não se completam e tudo sempre acaba sempre no mesmo: o nada. Alguma coisa semelhante em sua vida? Provavelmente, sim. Muitas das cenas foram colhidas das vidas dos atores. Mas ninguém precisa perder quase duas horas de seu período existencial ouvindo zilhares de vezes: “O que eu digo te interessa?”, “Tá to mundo aqui?”, “O que brilha?”. Viver já é bastante cansativo, não precisamos de outra vida tão entediante.

É arte: de qualquer modo, é sempre bom entrar em contato com a poesia de Paulo Leminski. Vejam esse vídeo e entendam o que ele pensava sobre a linguagem. Acho que ele concordava com Baulaire: “É preciso estar-se, sempre, bêbado”, mesmo que seja de poesia.

É fato: o primeiro contato com essa “droga” e com o poeta aconteceu quando ainda era tica. Polonaise, ao lado de Trem de Ferro, foi meu poema favorito durante toda infância, quando eu ainda não fazia idéia do que era a poesia.

:: Vida, de Marcio Abreu. Com Giovana Soar, Nadja Naira, Ranieri Gonzalez e Rodrigo Ferrarini. 115 minutos. Comédia. Sesc-Santana (v. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, tel. 2971-8700). R$ 5/ R$ 20. 6a./sáb.  21h e dom. 19h30. Até 08/08.

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