suicídios exemplares


Quem nunca pensou em se matar pelo menos uma vez na vida que atire a primeira pedra na cabeça para tentar agora. Dois motivos me levaram a comprar e a ler esse livro: o interesse pelo título/tema e o amor da Gabriela pelo Vila-Matas – ela vive dizendo que gostaria que o escritor fosse seu bichinho de estimação, entenda isso como quiser. Mas acho que comecei pelo livro errado. Porque, mesmo gostando dos temas tratados, o escritor não me fascinou – a não ser pelos títulos dos contos.
O primeiro, Viajar, perder país, sim, fiquei encantada. Com o estilo, com a personagem. Tudo. A arte de desaparecer, que eu achei que iria delirar, 10% de deslumbre. As noites da íris negra quase me matei de vontade de escanear e mandar para alguém. Uma invenção muito prática está entre os mais interessantes quanto ao estilo. Com Os amores que duram por toda uma vida entendi que o tal do amor é o sentimento mais “perigoso” quando a ideia é o suicídio. Há ainda outros medianos. No fim, senti que o livro é meio um verso poema Pneumotórox, de M. Bandeira, “A vida inteira que podia ter sido e que não foi”. As histórias têm até pontencial, mas não chegam lá. Contudo, acho que concordo com o escritor numa coisa: um suicídio mal-sucedido é mais exemplar do que um bem-sucedido. Fracassos também são interessantes.

É arte: algumas definições e imagens poéticas lindas.

É fato: tenho certeza que Vila-Matas leu O cavalo perdido e outras histórias, de Felisberto Hernández. No conto Ninguém acendia as luzes, do escritor uruguaio, há o seguinte diálogo:

– Diga-me a verdade: por que a mulher do seu conto se suicidou?
– Oh, seria preciso perguntar para ela.
– E o senhor não poderia fazer isso?
– Seria tão impossível quanto perguntar alguma coisa à imagem de um sonho.

No Os amores que duram por toda uma vida, de Vila-Matas:

– Está convencida de que se matou por paixão e não por protesto? – quis saber.
– Você teria de perguntar a ele.
– E você não poderia fazer isso?
[…]
– Seria tão impossível quanto perguntar à imagem de um sonho, ao homem de minha vida.

:: Suicídios exemplares, Enrique Vila-Matas. Contos. Cosac Naify. 2009. 208 págs. R$ 49.

Anúncios

Um comentário sobre “suicídios exemplares

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s