uma noite em 67


Eu não sou daquelas “saudosistas” que dizem: ai como eu queria ter vivido em 19… Eu gosto de ter nascido em dezembro de 86; ser geração Y; ter vivido minha infância nos anos 90 junto com a Xuxa e a TVCultura; e passado minha adolescência batendo papo na Sala Uol de Barueri, no MSN e fazendo um blog  (o já desativado, Expresso.K). Mas, minha amiga Vanessa, que viu comigo o documentário de Ricardo Calil e Renata Terra, gostaria de ter vivido aquela noite em 67.

Eu sou fã incondicional de alguns os cantores que aparecem ali: Gil, Caetano, Chico, Edu… Eles não saem do Bruce (meu iPod). Ponteio foi minha música favorita durante muito tempo. Roda Viva, Alegria, Alegria e Domingo no parque estão entre as melhores canções, na minha humilde opinião, de seus respectivos compositores. O documentário é muito bom – apesar de sempre achar que dá para enxugar uns minutinhos.

O filme é bom especialmente para tirar essa nostalgia do que não foi vivido das pessoas mais jovens como eu. A visão dos protagonistas do festival é muito clara: galera, aquilo foi apenas uma noite na vida deles, uma noite. É assim que eles veem. Claro que se sentem orgulhosos por terem participado ainda jovens de um momento tão importante para a TV e música brasileira. Mas essa importância veio com o tempo. No ao vivo, eles queriam apenas fazer música. Gil, mais do que todos, queria experimentar sons sem a quadradice de ter que se encaixar num ou noutro grupo. Chico ficou triste ao saber que, mesmo moço, 23 anos, era velho. E Edu já levava muito a sério o que fazia, pois pensava que a vida de músico poderia acabar em instantes.

A TV Record, muito perspicaz, tirou proveito de tudo isso. O canal simplesmente tinha todos os tops da MPB e da Jovem Guarda trabalhando lá. A música era a válvula e escape naqueles anos “de chumbo”. E o público participava ativamente daqueles Festivais. Como disse Edu Lobo, os artistas eram os cavalos de aposta do povo. Eu diria que era algo semelhante ao acontece com o BBB hoje. MINHA MÃE , QUANTA DIFERENÇA! Antes que eu faça mais uma comparação infeliz, porém verdadeira, vou parar por aqui. BEIJOS! Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar… Eu tomo uma coca-cola, ela pensa em casamento, uma canção me consola… La, la, la…

É arte: as músicas. Quem dirá o contrário?

É fato: como bem observou a Vanessa: Cidinha Campos, Reali Jr e Randal Juliano eram os Faustões dos Festivais. Puta repórteres malas!

É fato2: Chico Buarque é a Regina Silveira. Até me assustei como o Chico me lembrava a Regina em minhas entrevista com ela. Até nessa negação do passado.

:: Uma noite em 67 – Renato Terra e Ricardo Calil. Documentário. Brasil, 2010. 85 minutos.

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