ocupação: regina silveira


“Todo projeto é um sonho, você sonha com ele, literalmente.”

Visitar a pequena exposição de Regina Silveira no projeto Ocupação do Itaú Cultural me deu uma saudade imensa dos dias que frequentei aquele ateliê [foto] – ora para entrevistar a artista, ora para pesquisar em sua biblioteca e arquivos. A cenografia, muito perspicaz, pensou o espaço como se fosse a mesa de trabalho da artista com suas luminárias baixas.

O trabalho de Regina, hoje, tem outro significado para mim. É difícil pensar nele separado da carga afetiva de um ano de estudo. Foi estranho ver todos aqueles projetos, rascunhos, assim, tão fácil, abertos ao público. No ano passado, pareciam estar tão distantes. Cada rascunho que a artista deixava sobre a mesa e eu podia dar uma olhadinha era uma vitória. Cada maquete que eu podia ver com cuidado, um sonho realizado. Eu achava que tudo, cada segundo que eu pudesse passar com ela ou com algo feito por ela eram importantes para minha melhor compreensão de quem era aquele ser humano. E agora, uma pequena parte esse material tão precioso está lá exposto para quem quiser ver (e muitas coisas interessante que a artista tinha me contado, em entrevistas conquistadas arduamente, agora são facilmente encontradas no hotsite da mostra). É uma exposição extremamente importante para quem quiser entender um pouco de como a ela concebe suas grandes intervenções na arquitetura.

Pelo texto de parede, notei que Regina está mudada:

Minha decisão em fazer maquetes que funcionem como memória e documento sempre esteve associada a certa aflição com a efemeridade. Construir esses modelos em escala foi sonhar a permanência de obras que, desde os anos 1980, eu projetava para espaços específicos, inicialmente executadas com pintura, e que eu via desaparecer quase sempre em um par de meses.

Em todas as minhas entrevistas, ela sempre pareceu muito desapegada com o passado e muito consciente de que fazia obras efêmeras. Parecia até que fazia esse tipo de obra de propósito, para não deixar vestígios. Ela mesma chegou a me afirmar que só se importava com duas coisas: o presente e o futuro. E agora me deparo com uma artista preocupada em preservar a memória. Uma memória que eu cortei um dobrado para retratar.

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É arte: poder estudar/ver/entender o processo criativo de um(a) artista. Essa exposição propicia isso. Bom, eu posso dizer que conheço pelo menos 10% do trabalho e da carreira de Regina. Assim que ela leu meu trabalho e me disse que estava “muito bom”, eu vi que ainda há um longo caminho pela frente. Ainda tenho muito o que estudar sobre arte e assim será a vida inteira.

É fato: Regina Silveira fez uma “ocupação” na minha vida em 2009. Ninguém faz ideia do quanto eu cresci fazendo esse projeto com o qual “sonhava literalmente” todos os dias. Eu não aprendi só sobre arte ou Regina Silveira. Eu aprendi sobre jornalismo, sobre ética, sobre ser, sobre batalhar, sobre querer, sobre rigor, sobre ceder. Nunca fui tão apaixonada por algo. Um afeto que eu vou ter pra sempre por esse trabalho. Um amigo me disse que, quando eu falo do meu TCC, eu fico linda. Talvez ele tenha razão, porque, hoje, fazendo quase um ano que eu o fiz, eu ainda ainda falo sobre ele com a mesma emoção e brilho nos olhos.

:: ocupação: Regina Silveira – Av. Paulista, 149, Bela Vista, tel. 2168-1777. 3ª/6ª 9h/20h e sáb/dom 11h/20h. Até 02/10.

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