amor além da vida



[essa é uma das minhas cenas favoritas. Leia o post e entenda o porquê]

Todo mundo que conheço detesta esse filme. Mas eu adoro. Não gosto por causa da mensagem de almas gêmeas, ou de amor além da vida. Gosto devido à relação de pai e filhos que tem ali. É difícil ser pai. É difícil ser filho. Hoje é aniversário do melhor pai do mundo. Do meu herói, do meu bandido. Pai é isso. Mocinho e vilão. Amor além da vida mostra esses dois lados de Chris Nielsen (Robin Willians). Foi preciso acontecer uma tragédia em sua família para ele, a alma dele, ter consciência disso.

Nós, filhos, estamos sempre querendo agradar nossos pais, e nossos pais estão sempre querendo o melhor pra gente. Eu tenho certeza que a melhor explicação para eu ter feito jornalismo é essa. Todas as memórias que tenho da infância com o meu pai são dele lendo ou vendo jornal. Eu chegava a disputar a atenção com o Cid Moreira – que sempre ganhava, claro. O jornalista era o cara que sr. Gomes ouvia, confiava, prestava atenção. O cara que sabia das coisas. Mas meu pai sempre achou que essa era  a profissão errada pra mim. Lia pouco, segundo ele. Deveria fazer publicidade, já que era criativa e sabia desenhar razoavelmente bem. Bom, me formei em jornalismo. E ainda não sei se meu pai se orgulha disso. Às vezes, acho que sim. Outras, acho que ele guarda o mesmo receio de quando eu fazia teatro. “Karina, isso não vai te levar a lugar algum”, dizia. Porém, não perdia uma apresentação minha.

No fundo, acho que ele só quer minha felicidade, que eu batalhe para realizar meus sonhos e “seja alguém na vida”. “Você nunca vai conseguir nada sem esforço”, brada quando eu fraquejo. Bom, eu estou tentando. Acho que meu pai não vai precisar que eu me disfarce de aeromoça ou vá até a porta do inferno para entender que eu o amo e, mesmo bancado às vezes a “filha ingrata”, eu sempre tentei fazer de tudo para agradá-lo e ter orgulho de mim. Ele sempre vai ser o meu fofis. Aquele que eu esperava chegar do trabalho no portão para me levar para dentro de casa no “cavalinho”.

É arte: não foi à toa que esse filme ganhou o oscar de melhor efeitos especiais em 1998. É lindo! Eu sempre quis morar naquele céu. Até hoje aquela árvore roxa faz parte do meu imaginário.

É fato: eu herdei muita coisa do meu pai: o jeito de andar apressado, a pele moreninha, que queima fácil sob sol, a dislexia, e um coração de manteiga, disfarçado na maneira de rude de falar, às vezes, e nos atos que parecem firmes, mas são só para bancar a durona.

:: Amor além da vida – dir. Vincent Ward. EUA, 1998. Drama. 113 min.

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3 comentários sobre “amor além da vida

  1. Eu fiquei com raiva deste filme, de tanto que chorei. Concordo em quase tudo e acrescento um argumento em defesa do filme. Se não fosse Robbie Williams no papel de…Robbie Williams este filme teria mais chances de ser melhor. Daí sim eu poderia dizer se gostei ou não.

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