29a. bienal internacional de arte de são paulo


A Bienal Internacional de Arte de São Paulo significa, pra mim, o que a Copa significa para os Brasileiros. Não faltei a nenhuma desde a primeira que visitei, quando tinha 15 aninhos. Terça, fui à abertura para convidados. A vernissage BOMBOU! Os três andares do pavilhão lotados, mal dava para andar e observar algumas obras. Claro que terei de ir de novo para ver tudo com mais calma e devida atenção. Mas minhas primeiras impressões são:

1) Aguardava com ansiedade pela obra do chinês Ai Weiwei. Mas fiquei frustrada – e olha que sou super chegada a um horóscopo. Aquela série de esculturas do horóscopo chinês, que ele se inspirou em conjunto de cabeças de bronze do antigo palácio imperial de verão em Pequim, nada me impactou. Achei até bobo perto dos trabalhos que o artista já fez.

2) Muito me impressionou o trabalho da italiana Tatiana Trouvé. Considero até agora o mais bonito que vi. Trabalhando com questões de equilíbrio e tensões, a artista pendurou 350 pêndulos no teto. Esses ficam imóveis a milímetros do solo.

3) Nelson Leiner e o porco contra-atacam! Na década de 1960, o artista ganhou o prêmio da Bienal com um porco empalhado dentro de uma jaula. Agora, ele deu asas ao porco! Colocou um suíno empalhando em um objeto com asas – parecido com aqueles desenhos de máquinas voadoras de Da Vinci.

4) Fiquei um tanto incomodada com o número de vídeos – eles compõe cerca de 40% da mostra.

5) Adorei o trabalho do Gil Vicente. Seus auto-retratos, ameaçando lideres políticos e religiosos de diferentes partes do mundo, causaram polemica. O artista conseguiu manter sua linha estética – grafite, corpos amarados e um clima sombrio –, mas, dessa vez com forte teor político. Quer coisa melhor para uma Bienal sob o tema de arte e política? E faço minhas as palavras de Vicente: “Eleição é uma coisa completamente pífia. Não voto e faço campanha para as pessoas não votarem”.

É arte: o slogan retirado livro Invenção de Orfeu,  de Jorge Lima: “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.

É fato: Essa Bienal tá dando o que falar. Se não bastasse a confusão com a OAB e a obra de Gil Vicente, são protetores dos animais contra os urubus de Bandeira Branca, de Nuno Ramos; o TRE contra o trabalho do argentino Roberto Jacoby, que bem definiu: “Talvez a Bienal devesse falar de decoração, seria mais sincero”. Como já tuitei: Querido Jacoby, no Brasil não existe política, e sim, politicagem. Por isso fica difícil fazer uma Bienal com o slogan de Arte e Política.

:: 29º Bienal Internacional de São Paulo – Pavilhão da Bienal (Parque do Ibirapuera). sáb./4a. 9h/19h, 5a./6a. 9h/22h. até 12/12.

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2 comentários sobre “29a. bienal internacional de arte de são paulo

  1. Já era tempo de atualizar o blog, né? 🙂

    Gostei muito de ir contigo, viu? E confesso que estava todo disposto a detonar o trabalho do Gil Vicente, mas não vi nada demais. Ou melhor, vi sim: os auto-retratos ficaram muito legais e acabaram com a minha má vontade!

    Os pêndulos da Tatiana Trouvé estão muito legais mesmo. No fim das contas, para um leigo em arte, acho que até me saí bem. Com a companhia, então, melhor ainda… 🙂

    Vontade de ir de novo, acredita?

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