o mundo mágico de escher


Eu tenho sérios problemas quando transformam exposições de arte em parques de diversões. Acho essa história de querer explicar o trabalho dos artistas por meio de engenhocas interativas uma bobagem. Ok. Estou sendo um tanto ríspida. Mas é que fiquei revoltada quando fui à exposição O Mundo Mágico de Escher, no CCBB-SP.

Ninguém precisa de um monte de parafernália de espelhos para entender como funciona a perspectiva. O próprio trabalho de Escher já uma aula e tanto sobre ilusões ópticas. Ninguém precisa ficar interagindo com maquetes bizarras para entender técnica do gravurista.

Por que não deixar as pessoas ficarem instigadas com suas gravuras e elas mesmas interagirem com as obras reais e tirarem suas conclusões? Em uma reprodução de um texto de Escher na parede, ele diz:

É preciso haver um certo mistério, mas que não seja imediatamente aparente.

Pois é, pena que os curadores não se tocaram disso e ficaram tentando decifrar todo o mistério do trabalho do artista, que já deixa todas as suas intenções bem aparentes. Bastava olhar com atenção.

É arte: as  92 obras, entre gravuras originais e desenhos que estavam em exposição junto das traquitanas inventadas pela curadoria.

Este slideshow necessita de JavaScript.

É fato: a arte pode ser para todos sem precisar ser banal.

O Mundo Mágico de Escher – Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, Centro). Tel. (011) 3113-3651. De ter. a dom., das 9h às 20h. Até 17/7. Grátis.

 

Anúncios

3 comentários sobre “o mundo mágico de escher

  1. É mesmo chato encontrar verdadeiros parques de diversões travestidos de arte. Até que, portanto, você não foi tão “ríspida” assim… Mas não é o caso de aplaudir a luta das curadorias para emplacar alguma popularidade aos já escassos museus e galerias, vulgo cemitérios do passado? Boa fé nunca é de menos.

  2. Me irrita muito essa coisa hoje de todo curador querer fazer uma exposição interativa e simplista. As pessoas são inteligentes o suficiente para entender as obras. Coloque um texto de parede inteligente, como são agora os do acervo do MASP e pronto. Eu acho que há espaço para arte e interação. Mas não é em toda exposição que isso cabe. Vamos de vagar com o andor, porque o barroco continua sendo de barro!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s