ruth cardoso – fragmentos de uma vida


Fazia a pesquisa de atrações do Guia Brasil 2009 quando Ruth Cardoso morreu. Lembro direitinho da minha conversa com a Gabriela pelo telefone contando o quanto eu estava abalada. Chorei com o FHC passando a mão carinhosamente no corpo no caixão.

Lembro ainda com cores do dia em que cruzei com o ilustre casal. Foi no fim de um show no Sesc-Pompeia. Vale o mini-flash back:

Eu e minha tia Ione prestávamos mais atenção no casal Cardoso sentado a poucos metros à frente da gente do que na apresentação. No fim, sem querer, cruzamos com os digníssimos. Minha tia, muito tiete, foi cumprimentá-los e disse:

– Admiro muito vocês. Queria tanto que vocês voltassem a nos representar em Brasília.
D. Ruth, muito simpática, pegou no rosto dela e disse:
– Minha querida, se você realmente gosta da gente, nunca nos deseje isso.

E partiram.

Foi breve. Mas marcou a minha vida.

Entre as 17 personagens que um dia desejo biografar, uma delas era D. Ruth. Mas Ignácio Loyla Brandão foi mais rápido. E no ano passado lançou Ruth Cardoso – fragmentos de uma vida. Fui ao lançamento e confessei a Loyla que ele tinha realizado um dos meus sonhos. E ele me disse: “Escreva a sua biografia sobre ela também”. Na hora, achei uma bobagem. Mas logo na apresentação, ele anuncia:

Ouso dizer que é pré-biografia com lacunas, despreocupadas de cronologias (há o período, não há datas, dia e hora exatos), um roteiro para outras que virão mais profundas, precucientes.

Grifei e anotei: “Me aguarde!”.

O texto é gostoso e flui que é uma beleza. Mas de fato tem lacunas. Lacunas que talvez só uma jornalista curiosa, como eu, gostaria de saber. Fiquei muito puta quando vi que não há qualquer citação à pulada de cerca do FHC que resultou no filho-que-não-é-seu-filho com a jornalista Mirian Dutra. Tinha tanta curiosidade em saber como Ruth recebeu isso.

Entretanto, não deixa de ser um belo retrato da maior primeira dama que o Brasil já teve. É interessante ler sobre sua repulsa pelo envolvimento de FHC com a política. Como ficou abalada com escândalo nunca comprovado sobre o Ação Solidária. De suas caipireces araraquarense. De sua erudição e cultura. Sem dúvidas, Ruth foi uma mulher incrível.

É arte: Os “Retalhos da vida cotidiana”, que  trazem momentos interessantíssimos de sua vida contados com uma boa fofoca de bastidor. O seu encontro com Simone de Beauvoir é de rolar de rir.

É fato: eu odeio notas de rodapé! Especialmente quando elas vêm todas num capítulo lá no fim do livro. Galera, será que não dá pra limar essa chatice ou colocar onde é sempre mereceu ficar: no pé da página?

:: ruth cardoso – fragmentos de uma vidaIgnácio de Loyola Brandão. Biografia. Editora Globo. 2010. 247 págs. R$ 44,90.

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Um comentário sobre “ruth cardoso – fragmentos de uma vida

  1. Por falar em dona Ruth, tô esperando o post sobre o documentário do FHC, hein! 🙂

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