meia-noite em paris


Houve um tempo em que eu tinha certeza que vivia na época errada. O certo seria eu ter nascido no começo do século XX para poder viver com os modernistas brasileiros. Hoje, no entanto, vejo o quanto eu estava equivocada. Não saberia viver sem o google, sem meu computador, sem o avião, sem o chuveiro elétrico, sem as vacinas. E, hoje, acho também uma bobagem essas pessoas que dizem que o antes é melhor do que o agora. Um saudosismo bobo que impede que as pessoas vivam com intensidade o presente.

 

 

Meia-noite em Paris, novo filme do Woody Allen, mostra com toda delicadeza e graça que o passado serve para nos impulsionar para frente, não para ficar preso nele. Um texto de Contardo Calligaris, publicado na Folha na última quinta-feira, me fez entender que, talvez, o fascínio de Gil Pender, personagem de Owen Wilson, pela Paris dos anos 20 venha da possibilidade de viver uma vida melhor no passado do que a ele vive no presente. Gil é noivo de Inez (Rachel McAdans), uma patricinha egoísta que pouco se importa com as vontades do namorado. E ele está cheio de sonhos e ambições da qual ela não compartilha.

Eu já tinha adorado o filme sem perceber todas as mensagens nas entrelinhas que ele carregava e que o artigo de Calligaris trouxe à luz. Depois da leitura, eu passei a gostar ainda mais de Meia-noite em Paris. Porque, de fato, é muito fácil nos esquecermos dos nossos sonhos em prol de uma circunstância que estamos vivendo. Aliás, é muito mais fácil deixar o sonho ser um sonho do que torná-lo realidade. Mas, às vezes, a gente encontra um amigo/um amor que acredita naquela nossa ideia empoeirada e nos impulsiona para torná-la realidade. Como conclui Calligaris belissimanente bem sobre Allen:

Se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se.

:: É arte: As referências do filme. Gertrude Stein, Ernest Hemingway, Cole Poter, Salvador Dalí e outros ilustres que ajudam Gil a se encontrar e dão um show de dicas culturais aos espectadores. Já até tirei A autobiografia de Alice B. Tolklas, escrita por Stein, da estante para reler.

:: É fato: Implicava muito com o fato de Allen ter convidado a primeira dama francesa, Carla Bruni, para participar do filme. Mas o seu papel não me incomodou nadinha. Valeu, Woody!

:: Meia-noite em Paris – comédia. EUA/2011. Rot./Dir.: Woody Allen. 94 minutos.

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Um comentário sobre “meia-noite em paris

  1. Já com certo distanciamento do filme, e portanto sem o calor da emoção, digo e repito sem medo de errar: é um dos três melhores filmes do Woody Allen que eu vi. Talvez o segundo! Com muito boa vontade, briga pelo Top 1!

    Gênio, gênio, muito gênio.

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