quebrando o tabu


Eu não tenho qualquer opinião formada sobre a legalização ou descriminalização das drogas. Mas acho que, num país em que há altas taxas de juros e um tráfico de narcóticos tão bem organizados, será difícil armar algum esquema legal para que as pessoas possam fumar seus baseadinhos na paz.

O que muito me espantou foi ver um senhor de 80 anos, que deveria ter vestido o pijama, levantar essa bandeira. E também me causa espanto ele vir defender isso agora depois de dez anos do fim de seus dois governos. FHC, meu querido, por que você não fez isso nos seus oito anos de mandato? Bom, no documentário Quebrando o Tabu, ele responde: “eu não tinha consciência da gravidade do que significava essa questão”.

Agora “consciente”, FHC protagoniza um documentário sobre a legalização, mais especificamente, da maconha. Ele visitou países como Holanda, Portugal, Colombia e Bolívia, e conversou com usuários, médicos, amigos, estudantes e políticos. E todas as opiniões do filme, t-o-d-a-s, são a favor da descriminalização e/ou legalização da drogas. Parece que essa é a grande solução do universo. Mas… por que não ouviram quem é contra?

O documentário que tinha de tudo para ser extremamente bem-feito (não que tecnicamente não seja) se mostra um panfleto “legalize já”. Acho que, para uma boa troca de ideias, deveriam mostrar opiniões contra e a favor. Mas o filme não favorece o debate.  E a discussão fica vazia.

O fim, então, chega a ser risível. Há frases clichês, como “o mundo está mudando”. Repito. Eu ainda não sei se sou contra ou a favor descriminalização das drogas. Acho um assunto delicado que ainda merece muita discussão – com opiniões divergentes, devemos ressaltar. Porque os que são contra devem ter ser motivos e devem ser ouvidos, assim como os a favor. O segundo documentário de Fernando Andrade deixa aquela sensação daquele verso poema Pneumotorax, de Manuel Bandeira, “Tudo aquilo que poderia ter sido e não foi”.

É arte: Eu, que sabia pouca coisa do assunto, fiquei interessadíssima pela maneira como a Holanda trata seus usuários: doentes que precisam de ajuda. Nunca tinha parado para pensar dessa forma. E o próprio governo é quem dá uma quantidade diária dos entorpecentes aos seus viciados. Mostrar algumas iniciativas de alguns países é o mérito do doc.

É fato: esse assunto ainda precisa de muita discussão, mas de discussão séria. Como bem disse Eduardo Escorel:

Combinando o que há de pior no cinema didático e publicitário, “Quebrando o tabu” quer ensinar e persuadir. Desmerece, dessa maneira, a inteligência de quem for a favor da descriminalização – a quem pouco tem a dizer. E deve aborrecer quem for contra – a quem não convencerá de nada. Fica longe, assim, de lidar com o potencial de um verdadeiro documentário.

:: Quebrando o tabu – Documentário. Brasil/2011. Dir.: Fernando Grostein Andrade. 74 min.

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2 comentários sobre “quebrando o tabu

  1. Prezado Sérgio,

    Não precizavam expor as opiniões contrárias em poucos minutos de um documentário, elas foram expostas durante toda as nossas vidas pela mídia de massa!

  2. Amorzinho, adorei o comentário e também me decepcionei com o filme. Não com o FHC, com o filme mesmo.

    Como defensor da descrminalização, senti falta de opiniões contrárias à minha. Virou um panfletiinho mesmo, uma tentativa frustrada de ser Michael Moore. Uma chance perdida de levantar um bom debate, ao contrário do que, imagino, o FHC queria que acontecesse. Enfim.

    Mas, mudando completamente de assunto, digo que adorei o “Prezado Sérgio” do xará aí de cima. Hahaha.

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