chico


Falem bem, falem mal, falem o que quiser, Chico é Chico. E como o título do seu mais recente trabalho: não precisa de complemento. Seus últimos CDs não são os melhores que já fez, mas também não são os piores. Acho “Chico” melhor do que “Cidades” e “Carioca” (pra mim, esses dois são praticamente o mesmo CD só que em dois volumes). Me parece que, nesse álbum todo negro, há um Francisco mais solto, mais permissivo a experimentação do que nos dois anteriores. Vide seu plano de divulgação online. Uma das melhores sacadas da indústria fonográfica na era da nuvem.

Confesso que gosto mais das músicas que já conhecia – Sou eu e Se eu soubesse –, mas as outras não me desagradam, acho Sinhá e Tipo um baião muito boas. E por isso eu fui ao show. Mentira. Fui ao show porque queria encontrar o mito. Esse poderia ser o pior CD dele que eu iria mesmo assim.

Mas acontece que eu sorri para ti… Bastou o Chico entrar, cantar e, durante a música, sorrir de canto para que eu desmoronasse. Ahhhhh… O palco não é o lugar em que ele se sente mais confortável. Fica claro. Mas o fato é que ele cantou, deu boa noite, sorriu, deixou todo mundo cantar Teresinha (foi de arrepiar), deu um bis, o público pediu e ele deu outro bis e se despediu de todo mundo que estava à beira do palco espalmando as mãos dos fãs. E ele poderia não ter feito nada disso. Só de ter o meu primeiro encontro com Chico já estava pra lá de bom. Ver aquele homem, autor de Beatriz, Cálice, Anos Dourados, Geni, Eu te amo, Pedro Pedreiro (que eu tenho certeza que ele fez pra mim) e muitas outras músicas e livros que permeiam a minha vida, era a realização de um sonho. Porque é aquela coisa que Walter Benjamin já disse e todo mundo reproduziu, o ao vivo tem a áurea que nenhum CD, DVD ou fotografia conseguiria reproduzir. A emoção de ver o Chico ali, compartilhando o mesmo espaço e ar, foi tamanha que mesmo que ele estivesse mudo já seria maravilho. E ele estava rouco.

É arte: A simplicidade do cenário que reproduzia obras de Niemeyer, Portinari e outros artistas.

É fato: fiquei sem ar quando o Chico cantou o rap do “Cálice” feito pelo Criolo. S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L.

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