Cartaz da Semana de Arte Moderna de 22

90 anos depois: semana de arte moderna de 22


Se você mostrar para o Fábio uma foto de qualquer político do Brasil – sim, ele pode ser do Amapá – não é raro ele te dar a ficha corrida do sujeito. Se você fizer isso comigo, eu vou perguntar kiko? Se você me mostrar uma obra de arte ou citar um nome de uma artista – de preferência do ocidente –, eu provavelmente vou poder te dar alguma informação mesmo que mínima. Bom, dado nossos currículos, você imagina por que eu quis ir ao Palácio dos Bandeirantes e  por que o ele decidiu me acompanhar?

Bom, eu fui lá conferir a exposição sobre os 90 anos da Semana de Arte Moderna de 22. O Palácio, além de dar abrigo ao Governador por 4 ou 8 anos, também tem acervo bueníssimo de arte brasileira. Com obras da coleção, foi montada uma pequena, mas interessante mostra em homenagem à nossa querida Semana. A maioria das obras não participaram da exposição no Theatro Municipal em 22. Mas alguns dos artistas, sim. Por exemplo: Víctor Brecheret, Anita Malfatti e Di Cavalcanti.

Antes que você pense ou diga: não, meu amigo, Tarsila do Amaral não participou da Semana. Ela estava em Paris e com preocupações acadêmicas demais para pensar em modernidade, cubisco, cores nacionais e outras características que invadiriam sua obra. Mas sim, lá você encontra dois bons exemplos da Tarsila antes e depois de Oswald, Mário e Anita. A Samaritana, seu quadro ainda com todos os rigores dos ensinamentos de Pedro Alexandrino, que também está representado na exposição, e Operários, pintado na década de 30, com todas as formas cubistas que lhe são conhecidas.

Outras obras que merecem a atenção é Ventania, de Anita Malfatti, e Daisy, de Victor Brechet. A primeira talvez tenha participado da Semana e uma obra muito pouco exibida. A Segunda vale pela história engraçada que envolve. Brechet fez o busto por encomenda de Oswald de Andrade. Daisy foi a primeira mulher do escritor e morreu muito jovem. Quando ele casou com a Tarsila, queria colocar a escultura em cima do piano da pintora, que, até onde eu sei, não deixou. Bom, eu acho essa história engraçada. E a Daisy tem uma cara tão divertida! A mostra compacta é muito interessante para quem conhece pouco dos pintores modernos e gostaria de conhecer mais.

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Para quem gosta de Política, como o Fábio, o mais legal é ver os retratos dos governadores do estado e estar ali, onde influentes da política paulistana transitam. Bom, você também pode ver o belo jardim, móveis antigos, murais da Maria Bonomi, presentes recebidos pelos governadores, menos o Governador. A área íntima, como o nome diz, é íntima e não tem visitação.

É arte: poder visitar esses ícones modernos brasileiros participantes ou não da Semana. Pode parecer bobo, mas toda vez que eu vejo Operários, da Tarsila, sinto um aperto no coração. Ok, confesso: eu chorei quando pela primeira vez a obra. Mas eu tinha 16 anos, tô perdoada?

É fato: você não pode passear livremente pelo Palácio. Todas as visitas são guiada!

:: 90 anos depois: Semana de Arte Moderna de 22 Palácio dos Bandeirantes (Avenida Morumbi, 4.500). 3a/dom. 10h/17h. Grátis. Até 29/jul.

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