o artista


Estou indo pouco ao cinema. Porque o dinheiro anda escasso para gastar 22 reais. Por isso, ultimamente ando preferindo a experiência do sofá-cama acompanhado de um cobertor quentinho e uma boa cia. Mas como estou naquela fase de postar tudo que não postei nos últimos meses, aqui vai mais um que já estava caindo no esquecimento. Assim como os filmes mudos.

Adoro filmes antigos. Aqui em casa as pessoas têm o costume de dizer que, se passou dos cinquenta, vai me agradar. Não é totalmente verdade, mas há fundamento no que dizem. Eu adoro filme mudo, filme preto e branco, filme que tem galã que ergue a sobrancelha e dá aquele risinho de lado. Logo, não podia perder O Artista.

Aproveitei o desemprego para ir numa quarta à tarde ao cinema. Na era dos incômodos óculos 3D, estava achando um luxo ver algo em preto e branco e mudo. Achei a iniciativa do diretor Michel Hazanavicius louvável. Mas faltou silêncio e bocas quietas no roteiro.

Eu ficava angustiada (e não é angustia do mundo moderno) em ver Berenice Bejo e Jean Dujardin movimentarem tanto seus lábios. Não me lembro do Chaplin mexer tanto a boca, nem usar tanta tela preta com falas em suas obras. Parecia que eles estavam impedidos de falar, não que o filme era intencionalmente mudo.

Outro artifício usado pelo diretor foi a gradação de cinza, que eu também não entendi. Não conseguia relacionar a mudança dos tons com o que estava acontecendo. Seria apenas um efeitinho? Li, numa resenha da Bravo!, que o Hazanavicius usou vários tons de cinza porque era um uso desse estilo de cinema. Pois, “quando não se tem a fala, qualquer detalhe técnico ajuda a criar nuances”. Bom, precisaria ver de novo para ver essas tais “nuances”.

Tirando essas questões, o filme é leve e divertido. Daqueles que ora você ri, ora faz nhóóóóó… A utilização de efeitos de som para mostrar a bancarrota do cinema mudo é genial! E os atores, dentro de seus limites, estão ótimos. Não acho que é um filme que valeria sair de casa numa tarde chuvosa para ir ao cinema para vê-lo. Mas é uma ótima pedida num fim de semana cinza, como esses de outono e inverno, que pedem sofá, coberta, dvd e pipoca.

É arte: o charme. Berenice e Jean não são exatamente o que chamamos de pessoas bonitas, ou que consideramos “belo” no mundo atual. Mas ambos são de um chame inegável. Eu não conseguia não sorrir quando via o sorriso de George Valentin. Meninos, parem com as academias e voltem com o charme! 😉

É fato: O artista foi O filme de 2001. Pelo menos no que diz respeito a prêmios. O longa rendeu para sua equipe: seis indicações ao Globo de Ouro, e venceu em três categorias, Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator – Jean Dujardin. Em janeiro de 2012, o filme foi indicado para doze BAFTA e dez Oscar, e ganhou cinco, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Jean Dujardin.

:: O artista – comédia romântica. França/2011. Dir.: Michel Hazanavicius. 100 minutos.

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