alberto giacometti: coleção da fondation alberto et annette giacometti


“Giacometti foi à Londres na Terça-feira. Estava ansioso para ver as salas da Tate Gallery onde será realizada no verão uma retrospectiva de sua obra”

Assim começa o livro Um retrato de Giacometti, de James Lord. Eu não sabia nada sobre o artista. Eu nem sabia que ele existia até 2009. Estava escrevendo o meu TCC e preocupada com o tom excessivamente jornalístico que estava tomando conta dele. Comentei isso com o Heitor Ferraz, professor de jornalismo cultural da Cásper, que me indicou  O ateliê de Giacometti, de Jean Genet. Devorei o livro, mas não entendi direito como aquilo poderia me ajudar. Minha relação com Regina Silveira era muito diferente da de  Genet com Giacometti. Até que um dia alguém me deu uma dica: se você não sabe como escrever, copie. Desculpe, Lord! Ao ler o seu perfil sobre o artista, eu não resisti e copiei. Ou melhor, me baseie no estilo em que você contava sua história para contar a minha. E assim, eu me senti para sempre ligada ao Giaco.

Nunca tinha visto uma obra  de Giacometti, mas elas me pareciam incrivelmente familiares. Num domingo de manhã, fui visitar sua mostra na Pinacoteca do Estado e pude conhecer ao vivo 280 peças entre esculturas, pinturas, desenhos e gravuras. Foi muita emoção. Ao chegar dei de cara com o L’Homme que Marche I. A tensão e o equilíbrio daquele homem esquálido caminhando é uma imagem muita impactante. Ao caminhar pela obra parei para pensar se era eu quem me movimentava ou a peça de bronze andava ao meu lado. A mesma força da estátua de 1,80 m também está presente em obras de 4 cm.

Na exposição, há também trabalhos da primeira fase de Giacometti. Esculturas e pinturas de estilo cubista, de forte influência da arte africana. Reconheço que são mui belas, mas o impacto de suas esculturas finas foi muito maior. Desculpa, mas eu não vou lembrar o nome da obra, quem souber, por favor, me refresque a memória. Aquele busto com todo aquele corpanzil e uma cabeça mínima me causou arrepio, tamanha profundidade e peso que aquele rosto pequeníssimo tinha. Suas figuras, mesmo as que não ultrapassam os 5 centímetros são de muita expressão.

A mostra infelizmente saiu de cartaz. Desculpe por não conseguir atualizar a tempo. Mas é foi difícil traduzir em palavras tudo o que eu senti ao ver  o trabalho desse grande artista. E ao reler agora esse post vejo que não consegui me expressar bem. De algumas exposições (in ou) felizmente guardo em mim apenas o indizível.

É arte: adoro esses documentos com desenhos dos artistas, fotos, esboços, projetos. Acho que toda exposição deveria ter um espaço para essa documentação. Ajuda muito a compreender o pensamento dos autores.

É fato: eu sempre tenho receio quando vem uma mostra de um artista de fora para o Brasil. Em salvas e raras exceções chegam aqui coisas boas. Essa foi uma bela surpresa!

Anúncios

Um comentário sobre “alberto giacometti: coleção da fondation alberto et annette giacometti

  1. Essa exposição foi mesmo emocionante! Sou muito fã do Giacometti, e aquelas esculturas no octogono eram de chorar!
    O ateliê de Giacometti é mesmo leitura obrigatória, e nessa fiquei super impressionada com os textos do Sartre nas paredes, lindos, comprei o livro. rs Um trechinho pra você “Giacometti costuma aumentar nosso embaraço colocando, por exemplo, uma cabeça longí,nqua sobre um corpo próximo, de modo que já não saibamos onde nos situar nem, literalmente, como focalizar.” 🙂

    Gostei do blog! Vou visitar mais. O meu http://alicout.blogspot.com.br/
    bjs!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s