Imagem1

um divã para dois


***

Com exceção de Romeu e Julieta, todos os relacionamentos já passaram por uma crise. Pode ser grande, pequena, durar um dia, uma semana ou anos. Em Um divã para dois, Meryl Streep e Tommy Lee Jones vivem o casal Kay e Arnold. Eles são casados há 31 anos e, há 5, dormem em quartos separados.

O casamento se arrasta, e Kay, insatisfeita, quer trazer de volta a magia que o relacionamento tinha. Arnold não parece muito disposto, mas cede ao desejo da esposa de fazer uma terapia de casal intensiva numa cidade no interior dos EUA. No consultório do dr. Feld (Steve Carell), eles abrem seus corações e levam para casa alguns exercícios para reavivar a chama da paixão.

Meryl e Jones não poderiam estar melhores em seus papéis. É impossível não rir e não se emocionar com as situações vividas por suas personagens. Poderia ser mais uma comédia-romântica se não fosse a força da atuação dos dois e do texto delicado de Vanessa Taylor. Na verdade, eu pouco ri, mais me emocionei e sofri. E acho que Luiz Merten está certo: “o filme, aliás, não é bem uma comédia, embora tenha cenas engraçadas. É mais um drama filmado como comédia”.

Lidar com a intimidade a dois não é desconfortável apenas para os mais maduros. Talvez seja estratégico para os mais jovens pensarem que tudo fica mais complicado para nós, coroas, mas também há meninos e meninas calcificados em suas relações, ignorantes em relação às necessidades do parceiro. E o filme não gira em torno do tabu de pessoas mais velhas falando sobre sexo. Falar sobre sexo é fácil. Falar sobre nossos espaços vazios, nossas solidões, é muito, mas muito mais difícil. O filme tem menos a ver com o sexo em si do que com o desejo de se sentir amado e de se amar.

Disse Meryl em uma entrevista coletiva no lançamento do filme. E nada poderia ser mais verdadeiro e resumir melhor Um divã para dois. Não importa o tempo do relacionamento – 30 anos, dois anos, três meses – e sim o empenho dos dois envolvidos em manter a chama acesa.

A vida a dois não é fácil. É um exercício diário conciliar as necessidades de duas pessoas distintas, que foram criadas em realidades diferente. E basta uma cochilada um pouco mais profunda para a chama tremular, diminuir e ficar apenas aquela luzinha fraquinha. Mas se houver vontade e você notar que, ao beijá-lo (ou beijá-la), suas pernas ainda ficam bambas nunca será tarde para quem estiver disposto a tentar.

É arte: a trilha sonora de Theodore Shapiro é de embalar qualquer relacionamento. Você pode dizer que é meio Alpha by night, mas amor é assim.😉

***

É fato: David Frankel está entrando para minha lista de diretores favoritos. Eles também dirigiu os geniais Marley & Eu e O diabo veste Prada. Ok, são blockbusters, mas são bons blockbusters.

:: Um divã para dois – comédia romântica. EUA/2012. Dir.: David Frankel. 100 minutos.

Um comentário sobre “um divã para dois

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s