do amor


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– eu não te amo mais! você não é a lulu que eu conheci.

Assim acabou o primeiro episódio da série Do Amor, que começou a passar ontem no Multishow. Derramei lágrimas com o fim do primeiro episódio que tratava de uma separação de um casal que ainda nem faz parte da minha vida. Acho que chorei menos pela separação e mais pela dura realidade do fim de um relacionamento. Por alguém jogar na minha cara que nos apaixonamos pelo que achamos que o outro é e não pelo que de fato ele é. E depois, com o passar do meses e anos acabamos descobrindo que só as flores de plástico não murcham e não morrem.

É difícil combinar pensamentos, abrir espaço na agenda, se anular e se completar por outra pessoa. Mas dizem que amar é ver além da diferenças. Mas, às vezes, acho que é melhor tirar os óculos para ver tudo sem muito detalhe e não encarar a realidade verdadeira, que poucas vezes é rosa. E para nossa geração acho que esse exercício do outro é ainda mais difícil.

Nós somos os Y, os rápidos, os antenados, os que vivem na sociedade líquida – que eu já chamaria de gasosa -, os que não têm tempo a perder, os que acreditam que a fila anda, os que têm pressa. Somos uma geração que não nascemos com a dádiva da resilência. E preferimos bater a cabeça em mil postes diferentes a olhar para trás e entender o que está errado para pensar como vamos resolver. Afinal, quebrou, compra outro.

Temos tanto medo de errar que vamos pulando de galho em galho, de relacionamento em relacionamento para evitar esse exercício de olhar para si, se auto-consertar ou simplesmente aceitar que é assim… imperfeito. Não queremos nos aprofundar, parar. Esquecemos que respeitar o tempo às vezes é fundamental. Para sedimentar, para amadurecer.

Somos tão múltiplos, temos tantas opções, que acabamos não sabendo o que queremos. Ou melhor, sabemos. Queremos o reconhecimento por aquilo que ainda não fizemos. Acho que nascemos com o ego maior do que a nossa personalidade.

Tempos tantos perfis em redes sociais, escrevemos tanto nossas opiniões – e achamos que elas são ótimas porque cinco pessoas deram um like e outras duas compartilharam -, postamos tantas imagens nossas e de onde estamos, que acabamos confundindo quem somos de carne e osso.

O que é a verdade: a foto linda da mesa arrumada para o café que acabei de publicar ou abrir a geladeira e descobrir que esqueci de comprar café e não vai dar tempo de passar no mercado? Talvez a nossa maior frustração é não ser aquele perfil do facebook em vez desse fracassado que passa o tempo todo no computador.

A série produzida e protagonizada pela atriz Maria Flor promete falar um pouco desses dramas que a nossa geração vive. Vamos acompanhar.

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