Oscar Niemeyer


Em 2007, quando trabalhava do Guia Quatro Rodas, eu tentei entrevistar Oscar Niemeyer. Falei várias vezes com a D. Vera, mas ela não cedeu. Dizia que o marido estava com a saúde muito debilitada para dar entrevista. Bom, ele deu muitas entrevistas depois dessa minha tentativa. Nesse mesmo ano, eu assisti A vida é um sopro, um documentário sobre o arquiteto. Aí, eu entendi o porquê da recusa em me conceder uma aspinha:

“Confesso que já estou cansado de falar sobre arquitetura, porque as coisas se repetem, a conversa é a mesma… Tudo tem que dar uma explicação”

E sabe qual era a minha pauta? Conversar com ele sobre os grandes marcos arquitetônicos brasileiros e pegar um frase de cada um. Confesso que fiquei com uma birrinha por causa do “não”. Pô, o que custava me dar dois dedinhos de prosa? Mas, sempre que eu entrava em alguma construção feita por ele, me desmanchava. É impossível ficar indiferente a um prédio projetado por esse homem. Você pode amar ou odiar. Ficar sem qualquer emoção, no entanto, é impossível. Eu amo a Pampulha. Amo o parque do Ibirapuera. Amo o museu de Niterói. Eu odeio o Memorial da América Latina.

Ele dizia que fazia prédios pensando em todos, inclusive nas pessoas que não pudessem entrar neles. Ele queria que os passantes tivessem pelo menos a experiência estética ao olhar a construção de fora. E conseguiu. Eu ainda não fui à Brasília, mas não tenho dúvida que aqueles edifícios são muito mais bonitos por fora do que por dentro.

Pensei muito em uma forma de homenagear esse nosso grande arquiteto (e sagitariano). E só consegui chegar a uma conclusão: os meus registros fotográficos.

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Pampulha
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Museu de Niterói
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Memorial da América Latina

é arte: vale a pena assistir o documentário A vida é um sopro.

é fato: esse comunismo do Niemeyer é de rir muito. Eu gargalhei quando vi a frase:

“Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida”.

Jura? Ele nunca me pareceu envergonhado com a bela casa que tem no Rio. E vamos combinar: pobre ele nunca foi.

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