gonzaga: de pai pra filho


Eu não gosto muito de cinebiografias. E muito menos dessas que exaltam o nordestino que sai de sua casa de chão batido e vem para “cidade” fazer a vida. Talvez por que tenho esse exemplo em casa e sempre acho que há um exagero no retrato da migração . Mas como Luiz Gonzaga faz parte da minha vida – nunca houve uma festa na casa dos Gomes sem música do rei do baião -, resolvi dar mais uma chance ao Breno Silveira.

O filme te pega pela música. É impossível não cantarolar as canções de Gonzaguinha e Gonzagão durante a sessão. Há canções que a gente nem sabia que conhecia e, no meio da cena, se pega cantando. Depois, o que chama atenção é a caracterização das personagens. É espantosa a semelhança de Júlio Andrade com o Gonzaguinha. Não conseguia acreditar que estava vendo um ator e não o próprio cantor. Até a voz de Júlio é facilmente confundida com a do Gonzaga Filho. Há quem diga que Nivaldo Carvalho e Adélio Lima não ficaram tão parecidos com o rei do Baião. Mas eu não achei. Oxê, o cara toca sanfona e deu show de interpretação! Outro mérito do filme é a mescla de cenas reais de shows e documentários dos dois cantores. Esse artifício ajuda ainda mais na verossimilhança.

Gonzaga: de pai pra filho é mais do que a história de dois gênios da música brasileira. É um grande drama familiar sobre o relacionamento tumultuado de Januário, Gonzagão e Gonzaguinha; sobre as diferenças de criação. Apesar de Januário nunca ter deixado faltar amor a Gonzaga, sempre faltou de tudo material ao menino. Tanto que ele não pôde se casar com o seu amor de juventude por ser pobre, muito pobre. E por isso, Luiz vai pra cidade grande. Fazer fortuna e tentar uma vida digna aos filhos e aos país que ficarão no sertão. Ele acredita que pôr o que comer na mesa e tornar os filhos doutores é mais importante do que o carinho paterno.

Eu entendo o posicionamento do Gonzagão. Meu pai sempre se fez presente, mas meu avô, que é de uma terra tão pobre quanto Exu, também pensava assim. Ele chegava a passar meses longe da família só para garantir o sustento dos nove filhos. Para nós, da cidade que somos mimados pelos nossos país até os 30 anos, é difícil entender essa relação de Gonzagão e Gonzaguinha. Você pode até achar que Gonzaga foi um pai relapso por estar sempre ausente. Ser pai, para ele, entretanto, era ser o provedor. Dar o sustento e não deixar faltar nada para sua (talvez) cria.

Digo “talvez porque  filme trata en passant sobre desconfiança que o rei do baião tinha sobre a paternidade de Gonzaguinha. Gonzaga sempre achou que era estéreo – apesar disso ter sido confirmado clinicamente. Apesar de nunca ter confirmado isso. No entanto, acho que isso é menor perto da história de reconciliação e acerto de contas entre os dois. Felizmente, dessa vez, Breno Silveira acertou a mão!

É arte: hoje, dia 13 de dezembro, é a aniversário de Luiz Gonzaga! Se estivesse vivo, Gonzagão completaria 100 anos. Viva o rei do baião, o filho de Januário!

É fato: E seguindo a tradição, neto e filho de Gonzaga, cantor é. No entanto, só vejo Daniel Gonzaga interpretando músicas do pai. Sua voz é incrivelmente parecida com a de Gonzaguinha.

[acho essa música do c***]

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