do amor (e fim)


“e é bom mas machuca!”

Terça-feira, terminou foi ao episódio de Do Amor. (Escrevi sobre o primeiro episódio aqui!) Durante 13 capítulos, acompanhamos a história de Pio e Lulu. Duas pessoas com ambições diferentes. Projetos de vida diferentes. Percepções de mundo diferentes. Aquela história dos opostos que se atraem, sabe? Como toda combinação explosiva, Pio e Lulu viveram metade da série em crise. Daquelas crises bravas – quem namora há um tempo deve conhecer. As personagens, no fim, se acertaram e levaram para Berlim um bocado de aprendizado na mala.

Eles, em meio as diferença, encontraram um caminho em comum para seguir. Entenderam que as vezes a distância faz parecer que a gente está mais junto. E às vezes a gente está junto, mas está separado. Que não dá pra cuidar da nossa carreira, da nossa vida e esquecer do outro. E que, no mundo moderno, é difícil conciliar nossos interesses particulares com a nossa vida de casal. Porque como diz Caetano:

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Vivemos em uma sociedade que vive pregando o politicamente correto, mas que também nos tornou egoístas demais para entender um sentimento que requer tanta doação e que é tão bonito em sua essência, mas que também pode trazer muita dor. Que nos completa e nos esvazia quando se vai. No nosso corre-corre (e tanto tempo perdido nas redes sociais e no celular modernete), fica difícil entender que é preciso renovar o amor todos os dias – mesmo nos dias que estamos mais atarefado. É preciso se reapaixonar.

Se ao olhar para aquela pessoa de maneira carinhosa, momentos antes dela acordar, esboçar em sua boca aquele sorrisinho discreto, como o da Monalisa, é isso é sinal de que você se reapaixonou. E que essa pessoa ainda lhe traz alegria em coisas pequenas, como com um sms bobo no meio da tarde com aquelas três palavrinhas de poucas sílabas.

O amor faz a gente se sentir motivado em acordar de manhã e levar o café na cama para o(a) amado(a) em plena quinta-feira. Faz você parar na floricultura em um dia qualquer e chegar em casa com uma flor sem nenhum grande motivo. Só por um gesto de carinho mesmo. Afinal, carinhos nunca são demais.

O amor faz você entender que tomar banho junto é muito melhor do que sozinho. (É massa ter alguém pra esfregar suas costas.) E descobrir que cafuné só tem graça se fizer no outro (ou recebendo).

São nessas coisas, pequenas, onde mora o amor. E ele é um sentimento tão frágil e delicado quanto esses gestos simples. E como um dente de leão, pode se esvair num sopro se não for bem cuidado.

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O amor está em cada palavra desse blog, que me acompanhou desde 2007. E aprendi um bocado de coisas com ele. Sobre arte, sobre a vida, sobre a cultura, sobre a amizade, sobre o ato de escrever, e claro, sobre o amor. Aqui sempre foi o meu exercício de escrita. Onde eu não tinha um editor para me ajudar.

Esse blog foi testemunha dos meus amores por pessoas, por trabalho, por exposições, por livros, por tantas coisas. Ele me viu crescer. Me apaixonar. Me desiludir. Me reapaixonar. Eu até queria continuar. Mas não tem mais sentido ficar aqui.

Eu não gosto dos layouts que o wordpress me oferece. Eu não gosto mais do seu nome. Ele está como uma peça de um quebra-cabeça antigo que não se encaixa num quebra-cabeça novo. Claro que não penso em deixar de escrever.

Acho que vou criar um novo blog no futuro. Acho que hoje gosto mais de escrever sobre a vida do que sobre cultura. Acho que as duas se fundiram e não precisam mais ficar separadas ente arte e fato. No momento, eu estou achando um monte de coisas e só tenho uma certeza: o artefato.k fica por aqui.

Mas não se preocupem que não vou deletá-lo. Porque esse aqui também o meu arquivo público de memórias. E quem sabe um dia me dá na telha e eu volto.

Esse blog, assim como o amor de Vinicius de Moraes, foi infinito enquanto durou. E foi lindo!😉

Fin

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