Walter Zanini (1925-2013)


Crédito: Folha de S. Paulo

Durante o meu TCC, eu entrevistei uma das pessoas mais importantes para história da arte brasileira, o professor Walter Zanini. Senhorzinho simpático que me atendeu no hall de seu prédio para conversarmos sobre Regina Silveira (vocês ainda vão ouvir falar muito dela aqui) e também sobre seu tempo de casperiano. Não ficamos mais do que 30 minutos papeando. Mas esse tempinho marcou pra sempre essa pretensa historiadora da arte.

Um pouco da história dessa incrível persona muito importante para as artes, você pode conferir aqui nessa nota do Valor. O Zanini sempre me causou admiração. Mas quando entrevistei o artista Donato Ferrari e ele me contou a história do MAC-Circulante, Zanini subiu muitos graus no meu conceito. E foi durante esse projeto que o historiador conheceu Regina Silveira.

Zanini, mais sua esposa, d. Neusa, mais o artista Donato Ferrari e outros, juntavam uma parte da coleção do MAC dentro de uma kombi e as levavam para cidades fora do eixo Rio-São Paulo a fim de formar novos públicos. Detalhe: estamos falando sobre a década de 60. Eles viajavam com o carro cheio de ícones do nosso modernismo, como Tarsila do Amaral, Picasso, Portinari… e partiam para fazer pequenas exposições Rio Grande do Sul, interior de São Paulo, Minas. A ideia era dar acesso a essas pinturas para quem não morava em São Paulo e talvez jamais tivesse condições de ver um Di Cavalcanti ao vivo. Só por isso, eu já tiraria o meu chapéu para Zanini.

Mas não bastava apenas formar um público ou gerir um museu. Zanini entendeu que, para ser o MAC ser um museu de arte contemporânea de verdade, ele precisa de obras contemporâneas. (Para quem não conhece a história do MAC, devemos lembrar que todo seu acervo veio do MAM, numa doação de Ciccillo Matarazzo. Por isso seu acervo tem um número incrível de importantes obras do modernismo brasileiro e mundial.) E, sendo a instituição parte de uma universidade, aquele espaço deveria promover também a experimentação. O “MAC do Zanini” era um lugar em que os artistas podiam experimentar coisas novas como o vídeo, performance, arte-postal. O diretor foi um dos maiores animadores da video-arte no Brasil. Além da produção Zanini também se dedicou a documentação da história das artes visuais brasileiras. É dele a maior “enciclopédia” da história da arte brasileira publicada pelo Instituto Moreira Salles.

Zanini foi uma pessoa sem comparação para a história da arte do Brasil. Não tenho conhecimento de mais ninguém que tenha promovido e se preocupado em estudar artes visuais tanto quanto ele. Com pesar, soube de seu falecimento no último dia 29. Mas também não me sentia no direito de fica triste com sua morte. Esse homem fez tanto pela artes brasileiras e tanto por mim, mesmo sem saber, que tenho como ficar chateada com a perda de uma pessoa deixou um legado inenarrável para o seu país. Hoje, eu só consigo ficar agradecida e lisonjeada por um dia o Zanini ter trocado meia dúzia de palavras comigo.🙂

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