as vantagens de ser invisível



“As cartas são melhores que um diário, porque existe uma comunhão que um diário não tem.”

Quando li isso, na hora, me identifiquei. Nunca gostei de diários. Gosto de pelo menos pelo menos ter a ilusão de que alguém vai me ler. Gosto de “comungar” minha opinião, meus sentimentos. Adoro escrever e-mails para os meus amigos e adorava escrever para ele. E adoro também receber as repostas. Adoro receber cartas. :)  Abrir uma carta tem uma emoção toda especial. Ver a letra da pessoa. O cheirinho do papel. Enfim. O fato é que depois que li a passagem resolvi abrir novamente esse blog. Porque eu preciso dessa comunhão com as pessoas (mesmo as imaginárias).

A leitura e a escrita sempre foram um alento para os momentos de dor e também uma forma de transbordar a felicidade. Durante esse último mês, li muito, escrevi muito e ouvi muita música (me culpo porque deveria ter lido meus textos acadêmicos, mas minha mente não assimilava). Acredito que essa minha necessidade de comunicação, de troca, fez com que eu preferisse os livros que são escritos como carta – Carta a D. e agora, As vantagens de ser invisível, de Stephen Chbosky.

Chalie é um menino, de 16 anos, que escreve cartas a um estranho contando suas descobertas da vida, porque ele acredita nessa comunhão. O livro é classificado como infantojuvenil, mas Chalie é um adolescente sensível demais para a sua idade. Ele parece que tem algum problema – faz tratamento psiquiátrico -, mas não é dito o que é. Porém, não importa. O que vale mesmo é mergulhar nas descobertas do garoto e redescobrir a vida com ele. Paixões, amizades, desilusões, perdas, livros, músicas, amores. Crescer não é uma tarefa fácil.
“E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém um dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó. Mas não é assim.” 

Me levaram as lágrimas as descobertas dele sobre o amor e sobre amigos. Tive de compartilhar com muitas amigas o trecho abaixo. Era uma retribuição por elas me darem tanto carinho em um momento difícil.

“É duro ver um amigo sofrendo tanto. Especialmente quando você nada pode fazer, a não ser ‘estar lá’. Queria fazer com que ele parasse de sofrer, mas não posso. Então eu só acompanho aonde quer que ele queira ir para me mostrar seu mundo.”

Crescer, se aceitar, descobrir quais são as suas limitações não são tarefas fáceis. E é lindo acompanhar esses processos. Eu não tenho filhos, mas acompanho os passos de todas as minhas amigas. Fico deslumbrada quando penso nelas enquanto estávamos na faculdade e depois me deparo ouvindo conselhos  tão maduros de seus lábios. Ou mesmo enquanto me falam de suas últimas conquistas e atitudes. Como elas cresceram nos últimos anos. Até sobre mim. Tem horas que eu me olho no espelho e vejo o quanto eu mudei. Como hoje eu sou mais sensível, mais equilibrada (às vezes) e menos dura comigo mesma.

Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda poderemos podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas.

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