Marina + Ulay, sobre relacionamentos


Um mês atrás,  o registro do minuto de silêncio entre Marina Abramovic e Ulay foi infinitamente compartilhado nas redes sociais. A primeira vez que vi, eu me emocionei de verdade. Depois, quando todo mundo começou a espalhar o vídeo com um coração como se não houvesse amanhã, eu me irritei. Me irritei com o fatos das pessoas não entenderem muito bem o que foi a relação de Marina e Ulay e não entenderem muito bem o que é uma performance.

Achei o choro/emoção de Marina muito legitimo. Mas a sua performance vai além do seu encontro com Ulay. Em uma mesa, foram colocadas duas cadeiras, uma enfrente a outra, para que as pessoas sentassem e compartilhassem com a artista um tempo. A fila para tentar olhar para Marina era gigante e permaneceu assim durante toda a exposição, que durou três meses no MoMA. O documentário A artista está presente mostra a emoção de quem conseguiu sentar-se de frente para o olhar profundo da artista. Uma dessas foi Ulay. Mas há a suspeita que ele foi convidado pela produção da performer sem que ela soubesse.

Enfim, o resto vocês já sabem. Mas o que eu gostaria de comentar é que Marina e Ulay, durante os 12 anos de relacionamento que mantiveram, executaram performances muito mais fortes e muito mais a ver com amor e emoção do que essa que aparece a artista chorando. Seguem dois exemplos que achei no Youtube abaixo:

Repare na tenção que há entre os dois corpos. Se Ulay soltar a flexa, ele pode matar Marina e, se ela soltar o arco, corre o risco de ferí-lo. E o que é relacionar-se senão depender do outro e se esforçar para não ferí-lo ou matá-lo? Essa tensão sempre há em qualquer relação. É preciso muito, mas muito esforço para não soltar a parte que lhe cabe e não acabar com tudo. Outra performance que tem o conceito parecido é Relation in Time.

Presos pelos cabelos, Marina e Ulay se esforçam para manter o penteado. Cada vez que um relaxa o coque vai ficando desmantelado. Quanto mais cansados os dois ficam mais desestruturado o cabelo vai ficando. 16 horas depois, os fios se soltam.

Melhor metáfora do que essas não há. Ninguém segura um relacionamento sozinho. E, se você não cuidar, não regar a tal plantinha enquanto o tempo passa, não adianta, ela não vai crescer e o tempo não vai segurar sozinho os cabelos presos. Claro que essas são leituras muito rasas sobre as performances de Marina e Ulay. Mas meu interesse aqui era só mostrar que há vídeos muito mais interessantes, com mensagens muito mais bem elaboradas e fortes do que o choro da artista.

Para quem quiser entender mais sobre os dois, indico duas matérias: essa e essa.

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