ver é uma fábula


São poucos os artistas de vídeo-arte que conseguem prender minha atenção. Geralmente, eu passo pela obra, vejo rapidinho – raramente ficou mais do que um minuto em frente à tela – e vou embora. Rafael França, promissor artista dos anos 80, dizia que, para fazer vídeo-arte, você teria de pensar no cara que zapeia a TV. Ele está ali, capitando do um monte de informações,  pode ser que pare, por 30 segundos, no seu vídeo e, durante esse curto tempo, o que ele viu tem que envolvê-lo.

Eu achava que isso fazia todo sentido – e faz em muitos casos. Mas depois que visitei a mostra Ver é uma fábula, de Cão Guimarães, no Itaú Cultural, essa plataforma artística subiu no meu conceito. Os trabalhos de Cao são de grande capacidade narrativa. Há, claro, uma grande preocupação formal. Mas, em seu caso, a forma ajuda o conteúdo. Não é apenas o belo pelo belo. Suas escolhas estéticas combinam com os roteiros de cada obra.

Nessa mostra, eu não parei apenas por 30 segundos e fui embora. Eu sentei e assisti aos vídeos do começo ao fim, sem me levantar antes de termina cada um. E sempre completamente hipnotizada – ora pela imagem, ora pelo discurso. O nome da mostra não é simples escolha poética. No trabalho de Cão Guimarães, ver, de fato, é uma fábula.

Veja alguns teaser de seus filmes.


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