quereres


Gostaria que o meu coração pensasse com a minha cabeça, que já anda muito decidida. Mas puta músculo teimoso! Ele insiste em ser mais forte que o cérebro. Basta um momento relax que… pimba! Ele dá um cruzado de esquerda, sufoca o meu lado racional e me leva direto para aquele lugar onde eu sei que não posso estar. É uma guerra diária.

Minha mente e meu corpo se transformaram num ringue. O querer e o não-querer, toda hora, se jogam no tatame e se atacam sem dó ou compaixão de mim. Me tiram a estabilidade. Acabam com a minha resistência (fiquei gripada duas vezes em um mês). Atrasam a visita do seu Chico. Ou mandam ele vir bater na minha porta em dias errados.

Eu queria dormir – e não sonhar. Eu queria parar de esperar por coisas que não vão acontecer. Eu queria que a minha vida tomasse o rumo que eu planejo. Eu queria não sentir vontades tolas e saudade estranhas. (Eu nunca gostei de política. Por que diabos agora eu sinto quase que uma necessidade de conversar sobre isso com alguém?)

Nunca tive crenças, mas tive de me render. Já acendi cerca de um pacote de velas pedindo para que tudo passasse logo. Queria voltar a ser aquela pessoa autosuficiente que eu era no começo dos vinte. Que gostava de cinza  – e não de amarelo. Que saia para jantar sozinha – e tudo bem. Que se amava mais do que tudo – e não deixa que nada atrapalhasse o seu caminho.

Mas eu já mudei demais. Experimentei uma vida que eu gostei demais. E, como diz Milton Nascimento, “sei que nada será como antes”.

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