elena


Tenho um certo fascínio por histórias de suicidas. Por isso, decidi ver “Elena”, de Petra Costa. A diretora do filme reconta a vida da irmã, que se matou aos 20 anos, por meio de um relato mega pessoal e gravações que Elena fez durante toda sua vida. Segundo a diretora, foram descobertas mais de 50 horas de gravações feitas pela irmã.

Elena sempre quis ser atriz. E desde adolescente se dedicava a isso. Ao ganhar uma câmera de seu pai, aos 15 anos, a menina passou a filmar a si e a irmã, treze anos mais nova. Um material precioso. A mocinha gostava tanto do vídeo que, em vez de enviar cartas aos pais, enquanto estava em Nova York, postava fitas.

Pequeno parênteses: ano passado, no festival MOVE, assisti a um documentário sobre coreógrafa Tanja Liedtke, “Vida em movimento”. Para realizar o filme, os diretores Bryan Mason e Sophie Hyde usaram um precioso material de arquivo de Tanja que se filmava muito desde muito nova. E esse é um bom exemplo de uso dessas imagens. Vejam o trailer:

Este ano, eu também vi a um outro filme com uma pegada parecida com “Elena”, “Construção”, de Carolina Sá. A diretora, também por meio de imagens do arquivo da família, tenta fazer um resgate da memória de seu pai, mesclando um pouco com a sua história e a relação de sua filha com o pai, um músico cubano que vive na ilha de Fidel. Vejam o trailer:

Quis citar os exemplos antes de continuar sobre “Elena” porque vejo confluências entre eles. Em “Construção”, tem o mesmo mote da história familiar e o relato pessoal. E, em “Vida em movimento”, o fato das duas serem artistas que se filmavam, mas que no caso do documentário australiano o recurso é melhor utilizado.

Em “Elena”, achei que a diretora se colocou demais. Poderia ter cortado metade de suas digressões poéticas e mostrado mais as personagens que ela encontrou – como o relato da avó que comentava que neta tinha se matado em uma noite de lua cheia que combinaria com a cena em que Elena diz que estava dançando com a lua – para explicar melhor a história da irmã.

Não entendi muito bem o que de fato levou Elena ao suicídio. Fica claro que, a princípio,  o que desperta a depressão na jovem é o fato dela não passar em alguns castings e por que se sentia muito sozinha em Nova York. No entanto, na segunda passagem da jovem pela cidade, ela vai porque foi aceita para estudar teatro na Columbia University. Ou seja, não seria motivo para ela estar feliz? E mãe, para ela não se sentir só, foi junto levando Petra, que, na época, tinha sete anos.

Documentário me pareceu uma grande análise. Como eu às vezes, aqui, escrevo para me encontrar, Petra resolveu fazer o filme para se resolver com o fantasma de Elena.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s