caçador de mim


Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Sou uma pessoa um pouco avessa a algumas mudanças. Desde os 15 anos, tenho o mesmo número de celular e moro na mesma casa há 21. Gosto de frequentar os mesmo lugares. Não, eu não sou acomodada, apesar de parecer. É que sou muito apaixonada por muitas coisas que fazem parte dessa minha rotina. E algumas delas, que eu não gosto, simplesmente, nunca consegui mudar apesar de trabalhar muito para isso. Por exemplo, sempre quis sair da casa dos meus pais, mas o destino nunca colaborou muito.

Eu gosto do novo. Adoro viajar para destinos desconhecidos. Gosto de ir a restaurantes novos, de escolher um sabor de pizza diferente, de fazer um caminho alternativo para chegar ao mesmo lugar, de experimentar novos cheiros. Nunca gostei muito da mesmice. Adoro inventar um novo corte de cabelo – apesar de nunca querer mudar o meu amado tom castanho, mas os brancos já não me deixam ter meus fios na cor original.

Meu ascendente em virgem sempre me fez racionalizar tudo, ponderar, analisar, ficar com os dois pés no chão. O que gera um confronto muito grande com o centauro que me rege e sempre quer se lançar ao desconhecido. E acho que foi esse impulso sagitariano que me fez participar de um processo seletivo a 522 km de casa.

Conseguir um trabalho em outro estado parecia ser a única saída para que eu me desvencilhasse de um ciclo vicioso de dor, de uma rotina que me oprimia e me fazia sofrer. (Sério, eu não aguento mais andar de trem. Isso é muito sofrimento pra mim. Ok, isso é uma piada, mas é uma verdade também.)

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Enquanto tudo era uma hipótese, eu até que lidava bem com ela. E seguia em frente acreditando que mudar de cidade, morar a 20 minutos da praia, ir ao trabalho a pé e, finalmente, trabalhar em uma empresa em que poderia construir uma carreira parecia ser realmente muito bom. E é. Claro que é. Racionalmente é.

Mas não consigo não sentir dor por tudo que deixo para trás. Meu bar favorito. Minha padaria. Meus amigos. Minhas ruas. Meus museus. Meus cinemas. Minhas dores. Um amor. Minhas memórias. Minha família. Toda uma vida pela qual eu sou completamente apaixonada e agora chegou a hora de dizer adeus.

Claro, não precisa ser tão dramático assim. Podemos dizer um “até logo”. Ainda mais com a tecnologia toda a meu dispor. Hoje, temos um avião que me liga a toda essa rotina em 50 minutos. Meus lugares favoritos vão continuar nos mesmos endereços e sempre poderei visitá-los. Meus amigos e famíliares, levarei no coração e eles poderão me visitar sempre que quiserem. WhatsApp, Facetime, Skype estarão ao meu favor para que, em segundos, eu possa ver, mesmo que de longe, seus rostos e ouvir suas vozes. E quando faltar um abraço, um cheiro, apelaremos para o cartão de crédito e para o decolar.com.

Mas não tem como, o desconhecido assusta até aos mais fortes e corajosos. E mesmo ainda não estando muito certa se estou pronta para tal mudança, lá vou eu. E levarei tudo e todos comigo. Porque essas pessoas, esses lugares, esses cheiros, essas cores, esses tatos fazem parte de mim. E sempre estarão comigo em qualquer lugar que for. E, para eles, sempre poderei voltar.


Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

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