antes da meia-noite


Quando os dois primeiros filmes da trilogia, Antes do amanhecer (1995) e Antes do pôr-do-sol (2004), foram lançados, eu era muito nova (8 e 17 anos respectivamente), e não ia para São Paulo ver filmes europeus. Na verdade, eu ainda gostava de ir ao cinema apenas para assistir as estreias da Disney (gosto até hoje disso, aliás). 
Vi aos dois primeiros filmes na sequência quando estava na faculdade. Talvez em 2007, aos 20 anos. E gostei bastante dos dois. Mas acredito que na época talvez tenha gostado mais do segundo. E depois mais do primeiro. Hoje, com certeza, tenho mais identificação com terceiro, Antes da Meia-noite, que chegou ao Brasil essa semana.
Eu não vou fazer o resumo da história, ok? Vamos ao que me mais me chamou atenção. Acho que senti uma mudança maior do 1o filme para o 2o. O terceiro, por mais que as personagens estejam num momento diferente – os dois hoje são casados e têm duas filhas –, me dá uma sensação maior de sequência do Antes do pôr-do-sol
Talvez, porque, em Antes do amanhecer, seja aquele papo da descoberta – os dois se conhecendo. No segundo, já rola um papo sobre o que aconteceu na sua vida naquele período e um acerto de contas do primeiro encontro. E, no terceiro, eles estão refletindo também tudo o que aconteceu nos últimos nove anos. Uma puta DR!
Mas o que mais me encantou no filme foi a capacidade de discussão do casal. Desde de sempre. Além do amor, Celine e Jesse gostam muito de conversar. E o papo entre eles flui desde Antes do amanhecer. Ela com todas as suas neuroses. Ele, um pouco mais reflexivo. Apesar das diferenças, há muita cumplicidade nessa relação. É até difícil, pelo menos para mim, separar os atores das personagens. E acredito que isso só acontece porque existe uma amizade muito forte entre os dois (entre as personagens e atores).
Quem já passou por um relacionamento como esse, em que amizade e amor se misturam, é fácil se identificar com as situações vividas entre Celine e Jesse. Ainda rola muita identificação e cumplicidade, mas ambos estão precisando de espaço para entender quem são e voltar a ter prazeres simples que acabaram sendo esquecidos com a rotina. No fim, todo relacionamento parece ser meio igual. 
Os desgastes e a necessidade de renovar os laços será sempre uma constante. Principalmente quando os dois começam a ficar muito misturados. Quando termina você e as suas necessidades? Quando começa o outro e as vontades dele (a)? 
Às vezes, acabamos esquecendo quem somos e quando a sirene toca e a gente começa a sentir vontade voltar ser nós mesmos, retomar a nossa individualidade, parece que alguma coisa na relação estremece. Nessa hora, é preciso parar e refletir. 
Saber se ainda faz sentido continuar, se você precisa de mais espaço, se o parceiro está disposto a lhe oferecer isso, se vocês ainda podem sonhar juntos, refazer planos, mudar de caminho. Ou continuar no mesmo, ao lado daquela pessoa, mas talvez seguindo de forma diferente – carro, bicicleta, a pé…
Em uma entrevista, Ethan Hawke disse: “Para cada caminho que se segue, há outro que se deixou de seguir”. E as histórias de amor são também assim. Você pode escolher seguir o caminho com uma pessoa ou trocar de estrada e encontrar uma nova cia. Mas, claro, sem lamentar o que você deixou para trás. Afinal, a vida é feita de escolhas – um dos mais verdadeiros clichês.

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