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vamos comprar um poeta


No Ensino Médio, eu troquei um curso técnico e um cursinho preparatório para o vestibular pelo teatro. O que não deixou meu pai muito feliz na época. Participar do grupo de teatro da escola foi a minha prioridade naqueles três anos. Meu pai dizia que o teatro não me levaria a lugar algum. Realmente, financeiramente e profissionalmente talvez não tenha levado. Não sou atriz e nem nunca quis ser. Mas o teatro me levou a descobrir o mundo.

Antes do teatro, eu só lia as leituras obrigatórias da escola. Depois do teatro, eu passei a ler as da escola, do teatro e complementares. Eu descobri o Manuel Bandeira e a poesia modernista, o mundo encantado do Ariano Suassuna, li peças do Bertolt Brecht e aprendi um pouco de expressionismo alemão. Aprendi a ir para São Paulo sozinha de trem e me apaixonei por artes visuais.

O teatro me custou um atraso de um ano para entrar na faculdade, porém deixou minha vida tão rica que faz esse ano parecer troco de bala. E por valorizar o “inutilismo” e saber o quanto as artes enriquecem a nossa vida, eu recomendo a todos a leitura de Vamos comprar um poeta, de Afonso Cruz. Deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas, faculdades e da vida. São 100 páginas que vão te dar um lucro exponencial. Vamos comprar um poeta já está na prateleira dos melhores livros já lidos. Pois como já diria nosso Mário Quintana: “quem escreve um poema salva um afogado”. 

Veja algumas frases que valeram sublinhar

Por que não um artista?
A mãe disse:
Nem pensar, fazem muita porcaria, a senhora 5638,2 tem um e despende três a quatro horas por dia a limpar a sujidade que ele faz com as tintas naqueles objetos brancos.
Telas
Isso.
Muito bem, disse o pai, compramos um poeta. De que tamanho?

*

O que é que esse poeta faz?
Poemas, respondi eu.
Para que servem?
Para muitas coisas. Há poemas que server para ver o mar.

*

O poeta dizia que os versos libertam as coisas. Que quando percebemos a poesia de uma pedra, libertamos a pedra da sua “pedridade”. Salvamos tudo com a beleza. Salvamos tudo com poemas. Olhamos para um armo morto e ele floresce. Estava apenas esquecido de quem era. Temos de libertar as coisas. Isso é um grande trabalho.

 

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