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A ironia de Martin Parr na exposição Parrtificial


IMG_20160626_163544422Quem nunca tirou um selfie na frente de um ponto turístico que atire o passaporte pela janela. Explorando essas novas manias, o fotógrafo britânico Martin Parr fez série Self-Parrtait, composta por autoretratos do fotógrafo e onde os visitantes poderão tirar uma self com um “Martin Parr em tamanho real”. Eu não resisti e tirei uma. Essa é uma das seções em que está divida a mostra Parrtificial, com curadoria de Iatã Cannabrava e que faz parte do Maio na Fotografia no MIS. Com 244 fotografias, essa é a maior retrospectiva do artista já realizada na América do Sul. E quem quiser visitar vai ter de correr porque a exposição fica em cartaz até o dia 24 de julho de 2016.

Reconhecido pelo seu humor um tanto ácido, nessa mostra, o fotógrafo traz as séries  BOOKSHOP, em que o visitante pode ver alguns fotolivros de Parr e de sua enorme coleção particular em monitores;  WE LOVE BRITAIN, trabalhos que satirizam os clichês do estilo de vida britânico; BORED COUPLES, registros de casais que parecem já fazer tudo no automático e que perderam o interesse um no outro – eu e o marido tentamos representar os casais de Parr, acima, acho que não rolou, rs -; PARR’S LABYRINTH, nessa série o fotógrafo tece sua sátira sobre o turismo global e toda a gama de lugares prediletos dos turistas; LIFE’S IS A BEACH, otografias realizadas nas andanças pelas praias da Europa, América Latina, EUA e México, com seu olhar atento para o comportamento muitas vezes bizarro dos banhistas) e MARTIN’S SQUARE,a sociedade de consumo retratada por Parr em imagens ampliadas no salão nobre do MIS: o Espaço Redondo.

A cenografia, muito bem-feita, vale ressaltar, traz um interessante arranjo para cada série em que os visitantes podem interagir e – por que não – tirar selfies? Em Life’s is a beach, as fotos estão em uma sala onde o chão foi coberto de areia e há cadeiras e baldinhos usados mais comumente na praia. Uma das fotos, aliás, faz as vezes de uma canga. A ironia e os flagrantes de Parr parece às vezes tão absurdo que você se questiona: isso não pode ser verdade. Mas segundo o fotógrafo todas as fotos são reais e sem manipulação. O que me leva a crer que realmente vivemos em um mundo tão absurdo que pode parecer ficção, mas se repararmos vamos notar que realmente tudo é verdade. Só preciso um olhar atento.

Sobre o artista
Martin Parr é um dos fotógrafos documentais mais famosos de sua geração. Com mais de noventa livros de sua própria autoria publicados, e outros trinta editados por ele, já estabeleceu seu legado fotográfico. Parr também trabalha como curador e editor. Já foi o curador de dois festivais de fotografia – Arles (França), em 2004; e a Bienal de Brighton (Inglaterra), em 2010. Mais recentemente, foi curador da exposição Strange and Familiar [Estranho e familiar], no Barbican, em Londres. Parr é integrante da agência Magnum desde 1994 e, atualmente, ocupa a posição de presidente da associação. Em 2013, foi nomeado professor visitante de fotografia da Universidade de Ulster (Irlanda do Norte). Seu trabalho integra coleções de muitos dos museus mais importantes – da galeria Tate (Londres) ao Centro Pompidou (Paris), passando pelo MoMA (Nova York).
O MIS fica na Av. Europa, 158, Jardim Europa, região oeste, tel. 2117-4777. Ter. a sáb.: 12h às 20h (c/ permanência até as 21h). Dom.: 11h às 19h (c/ permanência até as 20h).
Até 24/7. Livre. Ingr.: R$ 6 (ter. e dia 18: grátis). Estac. (R$ 12) ou valet (R$ 18).

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