Fim.


Há momentos em que a gente precisa parar e focar. Não é de hoje que esse blog tem seus momentos de férias. Esse talvez seja apenas mais um — ou pode ser definitivo. Tudo o que sabemos nessa vida é que nada sabemos, não é mesmo?

O fato é que preciso reduzir os pontos de foco para seguir no que realmente é importante no momento. Por isso, esse blog/página/perfil vai parar por aqui. Mas você vai poder continuar me seguindo no Instagram (@ksergiogomes), Medium (@ksergiogomes) ou no twitter (@_ksg) para saber o que ando aprontando no mundo cultural ou noutras áreas do meu interesse. (O que não falta aqui é curiosidade.) 

Então é isso. Por aqui, vamos parar. Mas a vida segue seu movimento por diversos endereços das artes e também pelo da academia — quem sabe agora não sai esse mestrado. Obrigada pela audiência e atenção durante todo esse tempo. 😊

Anúncios

The Crown


 

Eu não gosto muito de séries. Na verdade, não tenho muita paciência. São muitos episódios, infinitas temporadas. ZzzZZZzz Eu prefiro mesmo uma boa novelona que, no máximo em nove meses, vai acabar. E se eu perder um ou outro capítulo não fará falta. Mas aí que eu fui fisgada pela série The Crown. Eu e o meu marido ficamos totalmente viciados. Largamos mão da novela por uma semana e assistimos à dois episódios por dia terminando a primeira temporada em uma semana. E agora sofro de ansiedade porque deve levar pelo menos mais um ano para sair a segunda. Amigos amantes de série, por que vocês fazem isso com vocês próprios? É muita angústia. Mas eu tenho algumas teorias para explicar porque gostei tanto de The Crown.

 

  1. Ah, a vida do outro. Eu acho que nasci para ser voyeur. Imagine: eu adoro até ficar olhando o quintal do vizinho da minha varanda. Se eu pudesse, comprava um binóculo para observar a vida das pessoas no prédio da frente. Mas o bom senso me impede isso. Obrigada, mãe. Então, imagina uma série que esmiúça a vida da corte britânica? Eu fico louca, Brasil! Depois de assistir à cada episódio, eu ficava numa busca frenética na internet para descobrir mais coisas sobre a vida de cada personagem.
  2. Essas fofocas da vida da família real são muito novelesca. Príncipes, princesas, amores mal resolvidos, vilões, conspirações contra a corte. Cara, isso poderia ter sido escrito pelo Dias Gomes. O enredo tem todos os ingredientes de uma boa novela. Porém, melhor escrito e melhor produzido. Imagine: 10 episódios levam mais de um ano para serem feitos. Enquanto em menos de um ano, para uma novela, são gravados cerca de 200 episódios. A qualidade não tem como ser a mesma.
  3. Os atores estão fabulosos e é incrível a semelhança com seus personagens na vida real. A menos parecida é a Clay Foy, que interpreta a rainha Elizabeth II, mas que dá um show de interpretação. Não é à toa que ela ganhou Golden Globe de melhor atriz de séries. Aliás, The Crown ganhou o Globo de melhor série. Isso é só para ir te convencendo.
  4. E por último, eu gosto de ver coisas bonitas. A fotografia, os cenários, os figurinos… são belíssimos. Tudo impecavelmente bem cuidado. Sabe aquela história de encher os olhos? Seus olhos vão transbordar.

 

Enfim, se eu não te convenci, é uma pena. Tá perdendo uma incrível produção. E agora eu tô aqui morrendo de abstinência porque acabou a primeira temporada e vendo todos os filmes que existem sobre a realeza e os vídeos no youtube. Afinal, sabe-se lá quando vai estrear a segunda temporada. E já se tem notícia de que, na terceira, vai aparecer a Lady Di. CATAPLOFT. Dá-lhe chá de camomila e suco de maracujá.

Áudio

Le vent nous portera


Vou inaugurar a #músicadesexta com a canção mais tocada no meu iPod nos últimos dias, Le vent nous portera, que faz parte da trilha da novela Velho Chico e é tema do casal Miguel e Sophie. A versão do folhetim e que destaco aqui agora é interpretada pela cantora suíça Sophie Hunger. Mas a música é da banda francesa Noir Désir (1983-2010) e faz parte do álbum Des Visages des Figures, de 2001. Hunger gravou sua canção em 2010 e faz parte do disco 1983.

 

Meme s’il ne sert a rien va
Le vent l’emportera
Tout disparaitra mais
Le vent nous portera

A ironia de Martin Parr na exposição Parrtificial


IMG_20160626_163544422Quem nunca tirou um selfie na frente de um ponto turístico que atire o passaporte pela janela. Explorando essas novas manias, o fotógrafo britânico Martin Parr fez série Self-Parrtait, composta por autoretratos do fotógrafo e onde os visitantes poderão tirar uma self com um “Martin Parr em tamanho real”. Eu não resisti e tirei uma. Essa é uma das seções em que está divida a mostra Parrtificial, com curadoria de Iatã Cannabrava e que faz parte do Maio na Fotografia no MIS. Com 244 fotografias, essa é a maior retrospectiva do artista já realizada na América do Sul. E quem quiser visitar vai ter de correr porque a exposição fica em cartaz até o dia 24 de julho de 2016.

Reconhecido pelo seu humor um tanto ácido, nessa mostra, o fotógrafo traz as séries  BOOKSHOP, em que o visitante pode ver alguns fotolivros de Parr e de sua enorme coleção particular em monitores;  WE LOVE BRITAIN, trabalhos que satirizam os clichês do estilo de vida britânico; BORED COUPLES, registros de casais que parecem já fazer tudo no automático e que perderam o interesse um no outro – eu e o marido tentamos representar os casais de Parr, acima, acho que não rolou, rs -; PARR’S LABYRINTH, nessa série o fotógrafo tece sua sátira sobre o turismo global e toda a gama de lugares prediletos dos turistas; LIFE’S IS A BEACH, otografias realizadas nas andanças pelas praias da Europa, América Latina, EUA e México, com seu olhar atento para o comportamento muitas vezes bizarro dos banhistas) e MARTIN’S SQUARE,a sociedade de consumo retratada por Parr em imagens ampliadas no salão nobre do MIS: o Espaço Redondo.

A cenografia, muito bem-feita, vale ressaltar, traz um interessante arranjo para cada série em que os visitantes podem interagir e – por que não – tirar selfies? Em Life’s is a beach, as fotos estão em uma sala onde o chão foi coberto de areia e há cadeiras e baldinhos usados mais comumente na praia. Uma das fotos, aliás, faz as vezes de uma canga. A ironia e os flagrantes de Parr parece às vezes tão absurdo que você se questiona: isso não pode ser verdade. Mas segundo o fotógrafo todas as fotos são reais e sem manipulação. O que me leva a crer que realmente vivemos em um mundo tão absurdo que pode parecer ficção, mas se repararmos vamos notar que realmente tudo é verdade. Só preciso um olhar atento.

Sobre o artista
Martin Parr é um dos fotógrafos documentais mais famosos de sua geração. Com mais de noventa livros de sua própria autoria publicados, e outros trinta editados por ele, já estabeleceu seu legado fotográfico. Parr também trabalha como curador e editor. Já foi o curador de dois festivais de fotografia – Arles (França), em 2004; e a Bienal de Brighton (Inglaterra), em 2010. Mais recentemente, foi curador da exposição Strange and Familiar [Estranho e familiar], no Barbican, em Londres. Parr é integrante da agência Magnum desde 1994 e, atualmente, ocupa a posição de presidente da associação. Em 2013, foi nomeado professor visitante de fotografia da Universidade de Ulster (Irlanda do Norte). Seu trabalho integra coleções de muitos dos museus mais importantes – da galeria Tate (Londres) ao Centro Pompidou (Paris), passando pelo MoMA (Nova York).
O MIS fica na Av. Europa, 158, Jardim Europa, região oeste, tel. 2117-4777. Ter. a sáb.: 12h às 20h (c/ permanência até as 21h). Dom.: 11h às 19h (c/ permanência até as 20h).
Até 24/7. Livre. Ingr.: R$ 6 (ter. e dia 18: grátis). Estac. (R$ 12) ou valet (R$ 18).

o que eu vi do oscar 2016


critica-do-filme-a-grande-aposta-02-500x316Na faculdade eu passei em economia e em jornalismo econômico graças a um milagre. O mesmo esforço tive de fazer para ver A Grande Aposta. E olha que o diretor Adam Mckay foi de um didatismo que me lembrou um pouco o diretor Jean Pierre Jeunet, em O Fabuloso Destino de Amélie Poulian. Filme chato, um roteiro chato sobre um assunto que tinha de tudo para ser mais interessante.

novaCA0_1449A fotografia de Carol, baseada no trabalho do fotógrafo Saul Leiter, está entre as coisas mais lindas vistas nessa safra. E o figurino também é de querer voltar para os anos 50 para usar aquelas saias e vestidos. Lindo, lindo! Cate Blanchett está, como sempre, maravilhosa, e Rooney Mara é uma agradável surpresa. O roteiro é ótimo, embora o andamento seja um pouco len
to dando um cansaço no começo até a história engatar.

a-garota-dinamarquesa-danielle-noce-1Eu entendo a campanha #somostodosLeo, mas depois de ver A Garota Dinamarquesa, é impossível não torcer para Eddie Redmayne. Além do filme ser dos mais lindos e sensíveis que eu já vi, Redmayne está SENSACIONAL! Talvez não ele não ganhe mesmo pois foi o vencedor em 2015 com Teoria de Tudo. Mas vou torcer mesmo assim.

1525_mEu nunca vou entender a indicação de Jennifer Lawrence para melhor atriz. Aquela estatueta por O Lado Bom da Vida — puta filme fraco — não dá pra engolir até hoje. E a interpretação dela é muito mediana perto das demais indicadas deste ano. E vamos combinar que Joy é um puta filme mal-editado. Confuso. Confuso. Confuso. E olha que eu adorava ver aqueles programas americanos de vendas quando era criança. Achava aquele tal esfregão demais! “Vou precisar muito disso quando for adulta e tiver de limpar minha casa”, pensava. Vou torcer para qualquer uma menos Lawrence.

1600481Entre os indicados a melhor filme e melhor diretor, vi apenas Spotlight — vou ver pelo menos A Grande Aposta até domingo com certeza. Então, vou torcer por ele embora eu saiba que provavelmente não seja o melhor nessas duas categorias. Contudo, em roteiro original, com certeza, ele está dois passos a frente dos concorrentes. Não sei se é a proximidade por conta da profissão, mas fiquei eletrizada na cadeira conforme o filme avançava. E saí do cinema com aquela sensação de que poderia ficar mais duas horas acompanhando a apuração daqueles jornalistas.

fim da bravo!


por Armando Antenore, no Facebook

A Abril Mídia divulgou hoje, oficialmente, o fim da revista BRAVO! em todas as plataformas. A publicação – uma das únicas no país dedicada exclusivamente às artes, onde trabalhei entre agosto de 2005 e julho de 2013, como editor-sênior e redator-chefe – nasceu em outubro de 1997. Estava, portanto, à beira de completar 16 anos. Foi criada numa pequena editora de São Paulo, a D’Ávila, já extinta, e migrou para o grupo Abril em janeiro de 2004. Quando chegou à seara dos Civita, desfrutava de prestígio, mas padecia de má saúde financeira. Não sei dizer quanto dava de prejuízo à época. Só sei que, na Abril, o quadro não se alterou substancialmente, mesmo quando o título adotou uma linha editorial um pouco mais pop, um pouco menos “cabeça” que a de origem.

Com todos os defeitos que pudesse ter – e que realmente tinha, à semelhança de qualquer publicação –, BRAVO! não perdeu o respeito do meio cultural. Havia divergências de vários artistas e intelectuais em relação à revista. Os próprios jornalistas que passaram pela redação nem sempre concordavam 100% com a filosofia do título, ditada obviamente pelos donos. Uns o acusavam de conservador, outros de elitista, superficial ou condescendente demais. Mas havia também muita gente boa que gostava de nossas edições. O fato é que mesmo os opositores jamais recusaram sair nas páginas de BRAVO!. Quem trabalhava para a publicação raramente ouvia um “não” quando fazia pedidos de entrevista. Até Chico Buarque, famoso por se expor pouquíssimo na mídia, topou protagonizar uma capa junto de Caetano Veloso (deixou-se fotografar, mas não abriu a boca, convém lembrar). Todos, de um modo geral, reconheciam que a publicação buscava primar pela seriedade.

Mesmo assim, em termos comerciais, BRAVO! nunca gerou lucro – pelo menos, não na Abril (como disse, desconheço os números da D’Ávila). A revista, embora contasse com o apoio da Lei Rouanet, operava no vermelho. Em bom português, dava prejuízo – ora de mihões, ora de milhares de reais. Por quê? Vejamos:

1) BRAVO! dispunha de poucos leitores? Sim e não. A revista contava com cerca de 20 mil assinantes e 8 mil compradores em bancas e supermercados. Vinte e oito mil pessoas, portanto, adquiriam a publicação mensalmente. Se levarmos em conta os parâmetros do mercado publicitário, cada exemplar tinha, em média, quatro leitores. Ou seja: uma edição atingia algo como 112 mil pessoas. No Facebook, a publicação contava com 53.600 seguidores e, no Google +, com 30.900. Eram índices desprezíveis? Depende. Em comparação com revistas de massa, a maioria editada pela própria Abril, os números de BRAVO! nem chegavam a fazer cócegas. Mas, considerando que o título se voltava para um nicho relativamente restrito, o da alta cultura mais sofisticada, as cifras não parecem tão ruins. Em geral, BRAVO! falava sobre manifestações artísticas que, mesmo se destacando pela qualidade, não atraíam público quantitativamente significativo. A revista dedicava quatro, seis, oito páginas para filmes como “Tabu”, do português Miguel Gomes, exposições como a retrospectiva de Waldemar Cordeiro no Itaú Cultural, livros como “O Erotismo”, de Georges Bataille, peças como “A Dama do Mar”, de Bob Wilson, e espetáculos de dança como “Claraboia”, de Morena Nascimento. Procure saber quantas pessoas viram tais filmes, mostras e espetáculos ou leram tais livros. Cinco mil, 10 mil, 20 mil? Como BRAVO! poderia ter zilhões de leitores se o universo que retratava não tem zilhões de consumidores? A publicação, por sua natureza, enfrentava o mesmo problema que amargam todos os artistas do país dispostos a correr na contramão dos blockbusters.

2) BRAVO! perdeu leitores em papel com o avanço das mídias digitais? Perdeu, seguindo uma tendência internacional. A perda, no entanto, não se revelou tão expressiva e ocorreu num ritmo menor que o de diversos títulos.

3) Era mais caro imprimir a BRAVO! do que outras revistas? Sim, bem mais caro, por causa de seu formato e de seu papel, ambos incomuns no mercado.

4) BRAVO! tinha poucos anúncios? Sim. Raramente, a publicação cumpria as metas da Abril nesse quesito. O motivo? Falhas internas à parte, os grandes anunciantes costumam demonstrar pouco interesse por títulos dedicados à “alta cultura”. “O leitor de revistas do gênero, sendo mais crítico, tende a frear os impulsos consumistas”, explicam os publicitários, nem sempre com essas palavras. Pela mesma razão, tantos cantores, artistas visuais, produtores de teatro e bailarinos encontram sérias dificuldades para captar patrocínio.

A soma de tais fatores tornava BRAVO! deficitária. Ao longo dos anos, tentaram-se diversas medidas para estancar o sangramento. O número de páginas da revista diminuiu de 114 para 98; as datas em que a publicação rodava na gráfica da Abril se alteraram algumas vezes com o intuito de reduzir os custos de impressão (é mais barato imprimir em certos dias do mês que em outros); a redação encolheu; os projetos gráfico e editorial sofreram ajustes; criaram-se ações de marketing pontuais na esperança de aumentar a receita publicitária. Cogitou-se, inclusive, mudar o papel e o formato de BRAVO!. O publisher Roberto Civita (1936-2013), porém, sempre vetou a alteração. Acreditava que fazê-la descaracterizaria em excesso a revista.

A Abril poderia ter insistido um pouco mais? Pecou por não descobrir jeitos inovadores de sustentar a publicação? É difícil responder – em especial, a segunda pergunta. A crise está instalada na imprensa de todo o mundo. Gregos e troianos dizem que a mídia tradicional precisa se reinventar. Eu também digo. Mas qual o caminho das pedras? Não sei. No máximo, posso arriscar uns palpites. E seguir investigando, e seguir apostando. O mesmo vale para os empresários da comunicação.

Gostaria que a edição de agosto não fosse a última de BRAVO!. Entristeço-me com o fim da publicação porque aprecio muitíssimo a arte. Filmes, livros, peças, músicas, instalações, pinturas, balés e quadrinhos me ensinaram mais sobre viver do que a própria vivência. No entanto, não bancarei o viúvo rancoroso. Não lamentarei a baixa escolaridade do brasileiro, o pragmatismo dos publicitários e dos patrões, o advento da revolução digital. Tampouco abdicarei de minhas responsabilidades frente aos erros e acertos da revista. Fiz e ainda faço parte do complexo jogo em que a mídia se insere. Procuro encará-lo com amor, senso crítico e serenidade. Nem sempre consigo, mas…

De resto, queria agradecer tanto à Abril quanto a todos os leitores e profissionais (artistas, editores, repórteres, críticos, ensaístas, designers, ilustradores, fotógrafos, assessores de imprensa, executivos, vendedores, secretárias, motoristas e motoboys) que tornaram possível tão longa e inesquecível jornada.

Soixante-dix – La Fete


Estou tentando ter uma vida cultural em Joinville. Esses dias, fui à Cidadela Cultural ver a exposição do artista mais louvado da cidade. Tudo aqui é Juarez Machado. E o artista, depois de 20 anos sem expor por na terra natal, trouxe a mostra Soixante-dix – La Fête. Depois de editar e ler algumas matérias a respeito, resolvi conferir com os meus próprios olhos.

A exposição traz algumas dezenas de quadros sobre o tema festa. Pintados em preto e branco estão os convidados brindando os setenta anos do convidado, Juarez Machado, que aparece sempre pintado de colorido. A série se torna um pouco repetitiva. E as piadas, consigo mesmo, perde a graça de tão óbvia depois de alguns quadros. De acordo com o artista, ele quer apenas divertir o público e se divertir. Mas a verdade é que exposição chega a ser monótona.

Alguns objetos são interessantes. Acredito que são as melhores obras. Com eles, Juarez Machado, consegue atingir um pouco da ironia que pretende nos quadros. Pena que são pouco explorados e alguns expostos em vitrines sem muito destaque.

Juarez, em si, se mostra como uma personagem. Uma tentativa frustrada de ser um Dalí, talvez. Em uma das salas, há alguns de seus figurinos exóticos – onde ele também expõe um simulacro de seu ateliê.

Consigo entender que os joinvilenses se sintam honrados por ter o filho pródigo expondo novamente na cidade. Mas perto de contemporâneos de Juarez, como o artista Nelson Leirner, que trabalha como ninguém a ironia, o papel da arte e a piada, os trabalhos do pintor ficam sem consistência. Um entretenimento para uma tarde chuvosa.