The Crown


 

Eu não gosto muito de séries. Na verdade, não tenho muita paciência. São muitos episódios, infinitas temporadas. ZzzZZZzz Eu prefiro mesmo uma boa novelona que, no máximo em nove meses, vai acabar. E se eu perder um ou outro capítulo não fará falta. Mas aí que eu fui fisgada pela série The Crown. Eu e o meu marido ficamos totalmente viciados. Largamos mão da novela por uma semana e assistimos à dois episódios por dia terminando a primeira temporada em uma semana. E agora sofro de ansiedade porque deve levar pelo menos mais um ano para sair a segunda. Amigos amantes de série, por que vocês fazem isso com vocês próprios? É muita angústia. Mas eu tenho algumas teorias para explicar porque gostei tanto de The Crown.

 

  1. Ah, a vida do outro. Eu acho que nasci para ser voyeur. Imagine: eu adoro até ficar olhando o quintal do vizinho da minha varanda. Se eu pudesse, comprava um binóculo para observar a vida das pessoas no prédio da frente. Mas o bom senso me impede isso. Obrigada, mãe. Então, imagina uma série que esmiúça a vida da corte britânica? Eu fico louca, Brasil! Depois de assistir à cada episódio, eu ficava numa busca frenética na internet para descobrir mais coisas sobre a vida de cada personagem.
  2. Essas fofocas da vida da família real são muito novelesca. Príncipes, princesas, amores mal resolvidos, vilões, conspirações contra a corte. Cara, isso poderia ter sido escrito pelo Dias Gomes. O enredo tem todos os ingredientes de uma boa novela. Porém, melhor escrito e melhor produzido. Imagine: 10 episódios levam mais de um ano para serem feitos. Enquanto em menos de um ano, para uma novela, são gravados cerca de 200 episódios. A qualidade não tem como ser a mesma.
  3. Os atores estão fabulosos e é incrível a semelhança com seus personagens na vida real. A menos parecida é a Clay Foy, que interpreta a rainha Elizabeth II, mas que dá um show de interpretação. Não é à toa que ela ganhou Golden Globe de melhor atriz de séries. Aliás, The Crown ganhou o Globo de melhor série. Isso é só para ir te convencendo.
  4. E por último, eu gosto de ver coisas bonitas. A fotografia, os cenários, os figurinos… são belíssimos. Tudo impecavelmente bem cuidado. Sabe aquela história de encher os olhos? Seus olhos vão transbordar.

 

Enfim, se eu não te convenci, é uma pena. Tá perdendo uma incrível produção. E agora eu tô aqui morrendo de abstinência porque acabou a primeira temporada e vendo todos os filmes que existem sobre a realeza e os vídeos no youtube. Afinal, sabe-se lá quando vai estrear a segunda temporada. E já se tem notícia de que, na terceira, vai aparecer a Lady Di. CATAPLOFT. Dá-lhe chá de camomila e suco de maracujá.

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de onde eu te vejo


Artistas não morrem. Eles seguem imortais em nossa imaginação e nas obras que fizeram e que vão perpetuar além da suas passagens pela terra. A morte prematura do ator Domingos Montagner fez muitos pensarem na fragilidade do ser humano e como a vida é um sopro, como diria Oscar Niemeyer. O rio passou e levou esse ator que vinha conquistando cada vez mais espaço na TV e no cinema. Mas a obra dele fica. E por isso resolvi relembrar um filme dele que vi no começo dessa ano. De onde eu te vejo não é o melhor filme dele, nem do ano. Mas é um dos longas mais delicados que vi. Trata de amor, da cidade que mais amo e ainda sobre minha profissão. É impossível não se identificar com Fábio (personagem de Montagner), ainda mais quando você é casada com um. 🙂 É para aqueles dias que você só quer um filminho para relaxar.

Domingos, de onde eu te vejo, você vai ser o mocinho e herói de muitas histórias. Porque eu vou vê-lo no Viva, no Vale a Pena Ver de Novo e no Netflix. Como disse, atores não morrem. São eternos graças a esse talento que se converte em arte. E da tela de onde eu te vejo, você vai viver para sempre.

Ana (Denise Fraga) é arquiteta e veio do Rio para São Paulo porque achava a cidade feia e queria deixá-la bonita. Mas acabou indo trabalhar numa construtora e seu papel hoje é demolir construções antigas (algumas delas lindas e clássicas) para a construção de novos empreendimentos de fachadas de vidro. Fábio (Domingos Montagner) é jornalista das antigas, apegado às suas coisas e ao passado e vive a crise da imprensa. Depois de 20 anos de casados, o casal decide não continuar mais juntos. Separados por uma rua e pela vontade de Ana em conhecer algo novo, os dois vão morar em apartamentos vizinhos e seguem observando um a vida do outro pela janela. Divertido, delicado e sensível, o filme também faz uma declaração de amor para nossa feia e querida São Paulo. Uma cidade aparentemente impenetrável, mas que, nas esquinas e becos, você pode encontrar sempre uma novidade em um amor antigo. Ou descobrir um antigo amor em uma novidade.

o começo da vida


Comecei ver esse doc por acaso e fiquei totalmente envolvida. Não é um filme sobre ser pai ou mãe, como eu imaginava. É um filme sobre infância e como todos nós somos responsáveis pelas crianças que existem no mundo, mesmo escolhendo não deixar para ninguém o legado da nossa miséria.

A gente é responsável quando é chefe ou colega de uma pessoa com filho, quando tem um sobrinho, quando nossos amigos têm filho. Porque esses serzinhos que estão descobrindo a vida serão os futuros adultos e a humanidade e a terra é responsabilidade de todos.

Fiquei comovida com a mãe que escolheu parar de trabalhar para cuidar dos filhos e que mostrou que esse é o trabalho mais importante da terra. Mas que ninguém valoriza. “Tem gente que diz o que importa é a qualidade e não a quantidade. Mas criança não sabe o que é qualidade. Ela quer quantidade. Então, você diga para o seu chefe que em vez das 9 horas por dia, você vai trabalhar apenas 10 minutos, mas com qualidade e veja se ele aceita”, ela disse.

Fiquei chocada com uma menina indiana, de uns oito anos, que cuida dos dois irmãos menores, um que não deve ter completado 12 meses, e disse para repórter que não sonha. Como pode, o mundo ter tirado a capacidade de uma criança de sonhar com um possível futuro?

Vejam esse filme. Ele importante não só para quem pensa um dia em ter filho, mas quem é ser humano e se importa com a humanidade.

o que eu vi do oscar 2016


critica-do-filme-a-grande-aposta-02-500x316Na faculdade eu passei em economia e em jornalismo econômico graças a um milagre. O mesmo esforço tive de fazer para ver A Grande Aposta. E olha que o diretor Adam Mckay foi de um didatismo que me lembrou um pouco o diretor Jean Pierre Jeunet, em O Fabuloso Destino de Amélie Poulian. Filme chato, um roteiro chato sobre um assunto que tinha de tudo para ser mais interessante.

novaCA0_1449A fotografia de Carol, baseada no trabalho do fotógrafo Saul Leiter, está entre as coisas mais lindas vistas nessa safra. E o figurino também é de querer voltar para os anos 50 para usar aquelas saias e vestidos. Lindo, lindo! Cate Blanchett está, como sempre, maravilhosa, e Rooney Mara é uma agradável surpresa. O roteiro é ótimo, embora o andamento seja um pouco len
to dando um cansaço no começo até a história engatar.

a-garota-dinamarquesa-danielle-noce-1Eu entendo a campanha #somostodosLeo, mas depois de ver A Garota Dinamarquesa, é impossível não torcer para Eddie Redmayne. Além do filme ser dos mais lindos e sensíveis que eu já vi, Redmayne está SENSACIONAL! Talvez não ele não ganhe mesmo pois foi o vencedor em 2015 com Teoria de Tudo. Mas vou torcer mesmo assim.

1525_mEu nunca vou entender a indicação de Jennifer Lawrence para melhor atriz. Aquela estatueta por O Lado Bom da Vida — puta filme fraco — não dá pra engolir até hoje. E a interpretação dela é muito mediana perto das demais indicadas deste ano. E vamos combinar que Joy é um puta filme mal-editado. Confuso. Confuso. Confuso. E olha que eu adorava ver aqueles programas americanos de vendas quando era criança. Achava aquele tal esfregão demais! “Vou precisar muito disso quando for adulta e tiver de limpar minha casa”, pensava. Vou torcer para qualquer uma menos Lawrence.

1600481Entre os indicados a melhor filme e melhor diretor, vi apenas Spotlight — vou ver pelo menos A Grande Aposta até domingo com certeza. Então, vou torcer por ele embora eu saiba que provavelmente não seja o melhor nessas duas categorias. Contudo, em roteiro original, com certeza, ele está dois passos a frente dos concorrentes. Não sei se é a proximidade por conta da profissão, mas fiquei eletrizada na cadeira conforme o filme avançava. E saí do cinema com aquela sensação de que poderia ficar mais duas horas acompanhando a apuração daqueles jornalistas.

A paixão de JL


Não há muitas dúvidas de que o Oscar de melhor documentário irá para Amy ou What happened, Miss Simone. Mas se a academia tivesse visto A Paixão de JL com certeza esse sairia vencedor. Eu já assisti a muitos documentários sobre artistas porém poucos se mostraram tão potentes. Carlos Nader teve a sorte de o artista ter gravado diários em fitas k7. Mas essa sorte seria pouco se O documentarista não demonstrasse o mesmo talento de Leonilson — para costurar e bordar — para emendar obras, referências de filmes e episódios da vida real com uma linha preciosa: os áudios do artista. Um filme raro, precioso, delicado, forte e viceral como as quatro mil obras deixadas por essa pessoa incrível.

os belos dias


É normal um relacionamento de muitos anos se desgastar. Manter o tesão num casamento de 40 anos, então. Existem casais que conseguem, e eu os admiro e imagino um dia ter um amor desses para vida toda.  Caroline (Fanny Ardant), além do luto da morte de uma de suas melhores amigas, vive um casamento sem cor e, para ajudar, se aposentou e não sabe muito bem o que fazer com o tempo que tem livre.

Sua filha, pensando entreter a mãe, lhe paga um curso para aposentados. Lá, ela conhece o jovem Julien (Laurent Laffite), que lhe faz novamente se sentir viva. O relacionamento dela com o moço que tem a idade de suas filhas, tinge sua vida de cor e aventura. Caroline se permite meninices — experimenta maconha, porres, encontros fortuitos no meio da tarde.

Sua aventura amorosa quebra sua rotina e lhe faz sair da mesmice. É como se o seu pulmão voltasse a se encher de ar. A única coisa que lhe traz de volta para a terra é quando seu marido (Patrick Chesnais) lhe avisa que sabe do caso da mulher. Me chamou muito a atenção quando ele vira para ela e diz:

— Eu não vou correr atrás de você.

E sai do quarto. Ok, vou parar por aqui para não contar o resto nem o fim do filme. O que eu achei lindo em Os belos dias é a capacidade de Caroline se jogar. Viver uma aventura. Uma mulher de sessenta anos, com um casamento e uma família sólida, se permite ter um caso e viver belos dias. Esse tempo com Julien, faz a jovem senhora repensar sua vida, seu papel de esposa, seu casamento, seu papel de vó e redescobrir a felicidade. A felicidade de ser quem ela é.

é arte: andar pela praia, sentir o vento descabelar seus penteados e ouvir o mar. Ah, a trilha sonora é também é muito linda.

é fato: para que serve viver se não for para se jogar e se entregar aos sentimentos e impulsos.

:: Os belos dias — Romance. Dir.: Marion Vernoux. França/2012. 95 minutos

a sorte em suas mãos


Todos que acompanham esse blog sabe o quanto eu adoro o Jorge Drexler. Já me desloquei até o Rio para ver um show dele. Agora, fui até Curitiba para assistir a sua estreia no cinema em A sorte em suas mãos e voltei da terra de Leminski ainda mais apaixonada pelo uruguaio.

O filme não tem nada demais. Mas é simplesmente encantador. Uma história bem contada, com boas encenações que me levou do riso às lágrimas. Fazia tempo que não via uma comédia romântica despretensiosa e tão fofa. Acho que a última foi Um divã para dois.

Fiquei impressionada com a capacidade de encenação de Drexler, que dá vida a Uriel, um judeu, como ele, dono de uma casa de câmbio, que é viciado em pôquer e em mulheres. Acostumando a blefar nos jogos de cartas, Uriel usa a mesma tática para se livrar de pequenos problemas do cotidiano e seduzir mulheres. Só que toda sua artimanha pode ir por água abaixo quando encontra Glória (Valéria Bertuccelli), um amor do passado que promete novamente abalar a estrutura do guapo.

Em uma cena à lá Antes da Meia-Noite (ou Antes do Pôr-do-Sol, escolham o de sua preferência), Uriel e Gloria caminham pelas ruas de Rosário (Argentina), acertam as diferenças do passado e colocam o papo em dia. E no final se abraçam para selar o reencontro. Nessa cena, confesso que lágrimas rolaram sem meu controle. Adoro abraços e tenho memórias afetivas muito fortes relacionadas ao gesto.

Como as lembranças dos dois a respeito do relacionamento juvenil não eram das melhores, eles se esforçam para que esse reencontro seja diferente. O que antes era muito carnal e fogoso, agora é cheio de carinhos e delicadezas. Mas eles, em especial Uriel, precisam provar que também estão diferentes e mais maduros para construir essa nova relação.

Agora não vejo a hora da película sair em DVD para ficar revendo, revendo, revendo, revendo, rindo e me emocionando. Porque as coisas da boas da vida podem ser vividas repetidas vezes. É só manter o encantamento. E o Jorge sabe como ninguém manter o brilho no meu olhar. 🙂