o útero do mundo


Meus amigos, que não frequentam tanto museus e galerias quanto eu, sempre me dizem: é porque eu acho tão difícil. Realmente, tem mostra que é osso. Tem artista difícil. Tem obra complexa. Mas tem curador, meus amigos, que escreve textos para ninguém ler. E que eu duvido que ele mesmo leia o que escreveu. Mas aí a gente encontra pessoas como a Veronica Stigger pelo caminho.

Ela escreve textos ótimos sobre arte sem ser hermética e esclarece como ninguém o seu pensamento curatorial. No vídeo abaixo ela discorre sobre uma das três partes da exposição “O Útero do Mundo”, no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. São 35 minutos que vão dispensar qual quer palavra minha depois (mas eu vou escrever mais um parágrafo. Há!)

Depois de ver esse vídeo, foi como passear no parque. Toda a seleção de obras (passando por uma das primeiras gravuras da Regina Silveira, cof-cof, passando por Cláudia Jaguaribe, Otto Stupakoff, Leonilson, German Lorca, Orlando Britto, Sandra Cinto e outros) fez total sentido. A escolha das obras se encaixam perfeitamente no discurso bem elaborado da curadora. Não fica ponta sem nó. Então, eu recomendo, veja o vídeo e não perca a mostra que vai até 18 de dezembro.

:: O Útero do Mundo. MAM, Avenida Pedro Álvares Cabral  – Parque Ibirapuera – São Paulo. 3a./dom. das 10h às 18h. tel.: 5085-1300. Até 18 de dezembro.

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o discurso do rei


Sou daquelas repórteres que estão sempre à procura de personagens incríveis. Depois de encontrá-las, começa o drama de como contar bem a sua história. “O discurso do rei” é exatamente a síntese disso: duas personagens incríveis e uma história muito bem contada.

Como um rei, que vive praticamente do poder de falar para os seus súditos, poderia ser gago? Esse é o drama que vivido por  George V (Colin Firth), pai da intrépida Elizabeth II. Para ajudá-lo a se livrar da gagueira, sua amada esposa Elizabeth (Helena Bohan Carter) contrata o experiente fonoaudiólogo Lionel Logue (Geoffrey Rush).

Por si só, o fato já bastante envolvente. E o habilidoso Tom Hooper  soube retratá-lo tão bem, que fez até a Elizabeth II ficar emocionada. Não é um filme com grandes efeitos especiais, nem dramático para fazer as pessoas se debulharem em lágrimas. Não tem tiro, não tem sangue, não tem cenas de sexo. Mas a história é contada de uma maneira corretíssima, sem nada a tirar ou pôr. E Firth e Rush estão em suas melhores atuações – tanto que Firth ganhou o Oscar de melhor ator e Rush o BAFTA de melhor ator coadjuvante. Fazia tempo que eu não assistia a um filme assim, que apenas contasse bem uma história sem apelar a qualquer um dos artifícios clichês dos cinemark’s-da-vida. É de dar inveja a muitos jornalistas por aí…

É arte: eu poderia escrever novamente sobre os atributos de Colin Firth. Mas, em respeito ao Fábio Matos, vou dar louros ao real discurso do George V.

É fato: ao escrever esse post encontrei um documentário muito interessante da National Geographic sobre a gagueira de George V. Confiram:




:: O Discurso do rei –  drama. Inglaterra/2010. Rot.: David Seidler. Dir.: Tom Hooper. 118 minutos.