#músicadesexta Casa Pronta


Suave. É assim que podemos resumir a nova canção de Mallu Magalhães divulgada na segunda-feira, 01/08. Com uma pegada bossa nova que já vinha do CD Pitanga, Mallu continua flutuando com sua voz pequena e seu violão. Mais uma música boa para ouvir de manhã, em tarde preguiçosas ou perto do mar – como sugere as imagens do clipe feito pelo marido de Mallu, Marcelo Camelo.

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Áudio

Le vent nous portera


Vou inaugurar a #músicadesexta com a canção mais tocada no meu iPod nos últimos dias, Le vent nous portera, que faz parte da trilha da novela Velho Chico e é tema do casal Miguel e Sophie. A versão do folhetim e que destaco aqui agora é interpretada pela cantora suíça Sophie Hunger. Mas a música é da banda francesa Noir Désir (1983-2010) e faz parte do álbum Des Visages des Figures, de 2001. Hunger gravou sua canção em 2010 e faz parte do disco 1983.

 

Meme s’il ne sert a rien va
Le vent l’emportera
Tout disparaitra mais
Le vent nous portera

#músicadesexta sambinha bom


Meu coração
Já cansou de tanto choro derramar

fusión


¿Cuánto de esto es amor? ¿Cuánto es deseo?
¿Se pueden, o no, separar?
Si desde el corazón a los dedos
no hay nada en mi cuerpo que no hagas vibrar.

O samba de Maria Luiza


Na verdade, Maria Luiza Jobim não canta samba. A filha mais nova de Tom tem uma pegada indie com um toque dos anos 80. Mas toda vez que penso na jovem, logo, me vem a memória o samba composto por seu pai em que ela faz uma participação muito da fofa.

Soube que Maria Luiza tinha seguido os passos do pai quando descobri a banda Baleia – que está preparando o seu primeiro CD. Adorei o jeito soft das músicas e versões de canções conhecidas, as quais eles dão a leveza do jazz e jovialidade do pop. 

E esses dias descobri que Maria Luiza estava lançando o seu primeiro EP, Opala. As seis música disponíveis são em inglês. Todas têm um leve toque eletrônico e um quê dos anos 80. Two Moons, por exemplo, me lembram muito as musicas de David Bowie. A voz suave de Maria Luiza vem embalando minhas idas ao trabalho. E combinando com a serenidade que a minha vida andava merecendo.

 

esperando, esperando, esperando o trem


Desde que eu me mudei para Barueri, aos cinco anos, eu ando de trem. Quando eu era criança, o meio de transporte era sinônimo de diversão. Adorava entrar no vagão com a minha mãe para ir à casa da minha vó. Na adolescência, tornou-se o símbolo da minha independência. Era um máximo poder ir e vir de São Paulo sozinha para fazer os meus  primeiros passeios culturais. Desde que eu chegasse às 22h30 na estação de Barueri para o meu pai me pegar, estava tudo certo. Hoje, é o meu maior martírio. Nada me tira mais o humor do que ter de embarcar no trem da CPTM com suas infinitas panes.

Já vivi muitas histórias naqueles vagões. A mais emocionante foi quando eu cai no vão entre o trem e a plataforma e fui parar lá nos trilhos. Sempre munida do meus potentes fones de ouvidos, é só chegar na estação que, como mágica,  Pedro Pedreiro, de Chico Buarque, começa a tocar. Parece que o Bruce, meu iPod, faz um apelo: “vamos voltar pra casa?”. E com ela abro a minha seleção de músicas sobre trens.

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Quando o trem quebra faltando uma estação para chegar em Barueri ou trafega com velocidade reduzida por problemas na via, eu não consigo não pensar na Maria Fumaça, de Kleiton & Kledir. (Fábio, se eu me atrasar para o nosso casamento, você já sabe a culpa de quem é, né?)

Essa Maria Fumaça
É devagar quase parada
Oh seu foguista
Bota fogo na fogueira

E quantas vezes eu não tive de correr para pegar o último trem da meia noite, porque assim como a mãe do Adoniran Barbosa, minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. E se eu perdesse aquele trem, só amanhã de manhã, mesmo!

Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã.

O bom das minhas viagens de trem é colocar a leitura em dia e o tempo perdido para refletir sobre a vida. Nas coisas que e a gente se esquece de dizer, frases que o vento vem as vezes me lembrar, como já diz a canção Trem Azul, de Lô Borges.

Coisas que o vento vem as vezes me lembrar
Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar

Na época em que eu estudava com afinco o modernismo brasileiro e era apaixonada pela Tarsila do Amaral e pelos demais modernistas, pensava em entrar na igreja, no dia do meu casamento, ao som do Trenzinho Caipira, do Villa Lobos, no lugar da cafona marcha nupcial. Mas essa ideia já passou! Ufa! Penso, hoje, em uma coisa mais pop. 😉

O fato é que o trem circula há séculos pelo Brasil, mas ainda não evolui muito do café-com-pão de Manuel Brandeira. Aliás, acho que decaiu. Afinal, as paisagens que apreciamos pela janela não são tão bonitas e atualizando o final do simpático poeminha: Que só levo muita gente, muita gente, muita gente…

Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Nota

não quero tchá!


Está faltando leitura para esse compositores de sertanojo, como diria Inezita Barroso. João Lucas e Marcelo, deixa eu contar uma coisa para vocês: essa história de tchu e de tchá, não é uma dança nova. Isso dança da Xuxa. Refresquem a memória…

Relembraram? Eu ainda arrisco dizer que “Dança da Xuxa” está anos luz na frente de “Quero tchu, quero tchá”.

Esses hits que estão na moda me fazem sentir uma saudade do tempo em que as duplas sertanejas eram formadas por irmãos e imploravam: pensa em mim, chore por mim, não, não liga pra ele. Ou confessavam que era o amor que mexia com a cabeça e os deixavam assim. Ou se perguntavam: mas pra que viver fingindo, se eu não posso enganar o coração?

(Diz aí, e no comando do Maestro João Carlos Martins fica ainda mais bonito!)

E querido Teló, “delícia” é a margarina que o senhor passa pão! Não sei vocês, mas nada me tira mais do sério do que quando alguém me passa uma cantada na rua dizendo: “aí, delicia!”. Mulher não é frango de padaria, homens!! E que história de “gata, me liga”? Será que eu sou muito antiquada? Gusttavo Lima, aqui quem liga é o senhor.

E ainda temos que aturar os caras que acham bonito sair com uma mulher sem um tostão porque sabem fazer um… “trelelele”?? João Neto e Frederico, vocês trabalham no Trianon? Pra mim, homem, mais do que trelelele, tem que ser aquele amante a moda antiga, do tipo que ainda manda flores, como canta Roberto Carlos. Sai pra lá com seu cartão bloqueado.

Apesar de todo progresso,
Conceitos e padrões atuais,
Sou do tipo, que na verdade,
Sofre por amor e ainda chora de saudades

É desses homens que as mulheres ainda gostam. Pelo menos, eu!

Por tudo isso, queridos vizinhos, parem ouvir esse tipo de  música em seus carros com aparelhos de som potentes. O Teló não conseguiu segurar a bela mulher que ele tinha com a sua declaração de amor “nossa, nossa, assim você me mata”, logo, você também não vai conseguir pegar ninguém.

Com esses mesmos arranjos eletro-bregas, tem gente fazendo coisas mais interessante, como a Gaby Amarantos e Zé Cafofinho e as correntes. Até os Aviões do Forró estão com canções mais inteligentes e bem humoradas. Mas isso fica para um próximo post. Vamos selecionar, né, galera? Porque de música chiclete já basta os jingles políticos que estão vindo aí.