amy winehouse – RIP


O primeiro post desse blog, em  11/11/2007, foi sobre Amy Winehouse. E quem diria que três anos depois estaria aqui escrevendo sobre sua morte. Por mais que fosse esperado, ouvir na rádio Alpha que a cantora tinha falecido, me causou uma tristezinha. Sei lá, talvez seja aquela falsa impressão de que jovens não morrem. Na época em que escrevi aquele post, achava que a cantora fazia tipo de drogada disfarçada em seus trajes românticos dos anos cinquenta. Um tipo feminino de James Dean (que também morreu jovem).

Depois de 2007, em que ouvi muito o álbum Back to Black, não acompanhei mais a carreira da cantora e soube pelas manchetes dos jornais sobre seus vexames. Se enquanto viva, ela se tornou uma piada na mídia, que só queria era explorar escândalos envolvendo a cantora. Agora, a mídia ressalta o seu potencial vocal e faz uma “apologia” contra as drogas. O mesmo serve para as produtoras: que recusaram gravar últimas músicas que fez e agora devem formar fila para gravar a herança do “mito”. O mundo é muito torto mesmo.

Fazendo uma pequena adaptação no primeiro verso de Back to black (vídeo): She left no time to regret

É arte: não há como discordar que a voz da cantora era um primor. E curtia também suas letras pouco educadas.

É fato: que m… é essa de “maldição dos 27 anos”? Tem até um link no wikipedia: 27 Club. Gente, será que vocês já ouviram falar em acaso? Ai, ai… A astróloga Barbara Abramo também definiu, no facebook, “a questão” dos 27 anos:

Ocorre que a partir desta idade até os 30 anos o ser humano atravessa a crise de amadurecimento mais acelerada e que encerra uma fase de vida; Saturno das estruturas está voltando a posição em que estava por ocasião do nascimento, e a Lua, em sua progressao, está voltando tambem a posição original: momento de completar uma volta e encerrar um ciclo. Cada um faz isso como pode.

Bom, eu espero passar ilesa pelos 27 daqui a alguns anos…

:: Amy Winehouse (1983-2011)

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músicas para curtir a fossa


Eu não tenho dúvidas de que a grande maioria das músicas é composta ou em momentos em que o amor floresce (vídeo acima) ou quando ocorre uma desilusão, como o famoso pé na bunda. Nessas horas, querido leitor, o único amigo que eu quero perto é o travesseiro. A vida se transforma naquelas músicas cantadas pela Maysa e Dalva de Oliveira. O mundo cai e a única dúvida que resta é: o que será da minha vida sem aquele amor?

Depois que o desespero passa, vem a dor – daquelas que tiram as forças para levantar da cama. As perguntas recorrentes são:  Por que tudo aquilo aconteceu ? O que eu fiz de errado? Que vazio é esse, God? E as lágrimas escorrem porque parece não haver mais vida depois do pé na bunda. (Nessa hora, eu baixo meu nível musical, tá? Não se espantem.)

“Vai lavar esse rosto, guria”, diz a Thelma, minha consciência. “Você nasceu pra ser feliz! Você é forte, uma pedra! Seu nome é o mesmo de uma estrela, então, BRILHE!” Ligo o som beeem alto e me engano. Canto gritando e pulo como se tivesse recebido uma descarga elétrica. (E eu consigo baixar ainda mais o nível e cantar músicas de quando era adolescente.)

Quando a adrenalina baixa: “o que eu estou fazendo?”, me pergunto. Desabo mais uma vez. Como se livrar da tristeza, da dor?  As músicas agora precisam aconchegar,  ajudar a respirar, trazer a calma, acompanhar as lágrimas, que escorrem devagar quase fazendo carinho. (Os vinis do meu pai sempre me ajudam nesse momento.)

Se não tem outro jeito, o negócio é se conformar e curtir a fossa – apesar de sempre ter a esperança que o telefone irá tocar.

Depois de tudo, mesmo com medo, está na hora de partir para outra. Doeu, muito! Mas é preciso ser uma mulher de moral: “Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Eu ainda não estou muito certa disso. É certo, no entanto, que  o sol nascerá.

É arte: a capacidade  das pessoas que conseguem transformar o sofrimento em música, poesia e quaisquer outras formas de arte.

É fato: meu repertório musical é muito eclético nesse momento, como viram. O bom, contudo, foi conhecer melhor as músicas de Cartola. Sei chorarPeito vazio estão entre as músicas mais bonitas que já ouvi.

Agora diga lá, quais são as suas músicas para curtir e sair de uma fossa?

virada cultural paulista: yann tiersen em piracicaba


O fabuloso destino de Amélie Poulian foi durante muito tempo o meu filme favorito. Ele ainda está entre os meu favoritos por zilhões de motivos, entre eles, a trilha. Em 2006, as músicas de Yann Tiersen foram as minhas melhores amigas. O motivo mais sublime para eu acreditar que a vida valia a pena. Ouvir aquelas melodias me confortavam. Baixei toda a discografia do compositor. E cada álbum era melhor do que o outro. As músicas conversam com a minha alma.

Mas só ouvir os CDs era pouco. Eu precisa ver quem era esse mágico, esse encantador de almas – que, além de tudo, pelas fotografias que tinha visto, era muito gato! Já tinha tentado vê-lo quando ele fez um show no Sesc-Consolação. Mas os ingressos acabaram antes das 12h. Não preciso dizer que fiquei putíssima? Quando  soube, em Janeiro, que o Yann Tiersen faria um show aqui no Brasil novamente, logo comecei a fazer planos. Só não imaginei que eles poderiam dar certos. O bom é que dessa vez eu tive uma ajudante, minha amiga querida e linda Wanise.

Lá fomos nós para Piracicaba para tentar ver o show. Chegando lá, surpresa: tinham apenas 500 e poucos ingressos para uma fila formada por no mínimo 3 mil pessoas. Desânimo? Não. Já tinha colocado na minha cabeça que só sairia daquela cidade depois de ver o show do Yann. Tentei ser má-educada e furar fila, mas fui denunciada por um cara de boina rosa que morava em Osasco (Alguém me explica por que o fulano da cidade vizinha da provinciana Barueri estava lá para causar na minha vida?). Então, eu bolei mais um plano: fui para porta de entrada do teatro e comecei a fazer o que já tinha aprendido tão bem com os queridos ambulantes do trem meu de cada dia: fui pedir encarecidamente para todos que entravam um mísero ingressinho. Afinal, eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas não, eu estava ali pedindo só um ingresso  para ver o show do querido Yann. E não é que funcionou? Milagrosamente, apareceu uma moça que não só tinha um ingresso, mas dois e deu para Wanise e para mim. E o melhor, eles ainda eram para segunda fileira.

O show foi só emoção. Yann não tocou minha música favorita, muito menos as clássicas de Amélie Poulain. Mas fez um show pulsante. O músico é daqueles que tiram as notas do instrumento com muita emoção e  sentimento. Ele canta, toca de olho fechado, parece estar em transe. Um transe contagiante que enfeitiça toda a platéia que começa a movimentar a cabeça de acordo com as notas. Um pouquinho pra vocês:

É arte: todas as músicas do Yann são pura arte, mas tem uma que eleva minha alma de uma maneira que não consigo explicar. Por isso, até, a escolhi para encerrar o vídeo de apresentação do meu TCC.  Escutem e me digam se ela não toca algo lá no seu âmago:

É fato: as pilhas da sua câmera fotográfica descarregarem nos primeiros dois minutos de show é revoltante. Sorte que eu tenho boa memória e hoje existe youtube.

a única sobrevivente

teresa cristina – melhor assim


Eu não acredito em acaso, mas hoje, por acaso, eu fui ler a folha online de manhã. Por acaso, li uma reportagem sobre o Roberto Silva. Por acaso, fiquei ouvindo samba a manhã toda. Por acaso, a minha amiga Izabel entra no gtalk. Por acaso, ela disse que não queria ficar em casa. Por acaso, eu também não queria (geralmente não saio no sábado e domingo, assim, seguidos). Por acaso, eu fui olhar no guia da folha e vi que tinha shows da Teresa Cristina e dos irmãos Caymmi. Por acaso, a Izabel se animou em ir ao da Teresa Cristina. Detalhe: Izabel é pop e não gosta de samba. Detalhe: no site dizia que os ingressos estavam esgotados. Detalhe: chegando lá havia apenas dois ingressos e de cadeiras juntas. E se tudo isso não bastasse, a cantora parecia estar cantando pra mim. Ou seja, eu tinha que ter ido. E ADOREI! Até “História de Lily Braun”, que eu escuto todos os dias e não é samba, a danada cantou.

Além de simpática, Teresa tem uma banda de fazer inveja a muitas cantoras. O repertório reúne o melhor do samba contemporâneo, com composições de Edu Krieger e Arlindo Cruz, a clássicos, como “A felicidade”, de Vinicus – eu sei que tá mais pra bossa nova, mas, acompanhada pela cuíca e cavaquinho, a canção ficou maravilhosa. Impossível não notar a influência dos mestres do samba no show. Noel, Cartola, Clara Nunes… estavam todos presentes ali. Um show para ninguém, amantes e não-amantes do samba, botar defeitos Até a Izabel gostou.

É arte: os imprevistos que acontecem em shows. Uma senhorinha, dessas que lembram baianas de escola de samba, descambou a sambar na cadeira. Teresa não resistiu e a chamou pra perto do palco. A velhinha deu um show. Veja:

É fato: assistir a um show de samba sentada na cadeira é uma penitência. Ai que vontade louca que dava de levantar e mexer as cadeiras.

:: Teresa Cristina – Melhor assim: Sesc-Pinheiros. R. Paes Leme, 195 – Pinheiros. Tel.: 3095-9400. R$ 5 a R$ 20.

dalva e herivelto – em outras vozes


Eu já estou em crise de abstinência. Faltando apenas um capítulo para acabar a minissérie eu já estou como muitas músicas de Dalva e Herivelto: na fossa! Brincadeira. Mas eu estou me abastecendo de canções da dupla para sanar a saudade que começa brotar. E descobri que há muitos cantores mais recentes que cantaram/cantam sucessos do casal. Há no site da Rádio Cultura uma seleção muito boa:

  • Distância – Nina Becker
  • Atiraste uma pedra – Doces Bárbaros
  • Nada além / Estrela do mar – Maria Bethânia
  • Olhos verdes – Gal Costa
  • Izaura – João Gilberto e Miúcha
  • Errei, sim – Paula Toller
  • Segredo – Ney Matogrosso
  • Caminhemos – Ná Ozzetti
  • Meu rádio, meu mulato – Zélia Duncan
  • Bom dia – Elza Soares
  • Pensando em ti – Wilson Simonal
  • Vaidosa – Germano Mathias
  • Nega manhosa – Zeca Pagodinho
  • Praça Onze – Zezé Motta, Pery Ribeiro e Elizeth Cardoso
  • Kalu – Chico Buarque

Dessa playlist, a grande revelação é Distância, interpretada por Nina Becker. Música de autoria de Marino Pinto e Mário Rossi, foi gravada por Dalva no início da década de 1950, quando a cantora estava em uma turnê pela Europa e gravou essa e outras canções com a orquestra de Roberto Inglez, que estão no CD Dalva de Oliveira com Orquestra de Roberto Inglez, de 1955. A interpretação de Nina me agrada mais do que a de Dalva, porque é mais doce, romântica. A de Dalva é mais tensa, dramática. Mas o arranjo orquestral de Roberto Inglez está 100 anos luz a frente de qualquer versão.

Não tem no youtube uma versão com Dalva de Oliveira, e tenho apenas o áudio, que ainda não consigo colocar aqui para vocês. Alguém me ensina? Todos os meus player pararam de funcionar. #humpf!

a música indiana [muito antes da onda índia]


Eu ainda não vi Quem quer ser um milionário? E só vou ver quando puder emprestar na faculdade (tô cortando gastos).  Mas essa avalanche de música indiana já chegou aos meus ouvidos. Esses dias, fui colocada na parede: “Como assim você não ouviu Jay ho?” Cheguei em casa e fui ver do que se tratava, claro.

Mas não achei sensacional como me falaram. Sou muito mais a descoberta da Gabriela:

 Typewriter tip tip tip faz parte do Cd da trilha sonora de Viagem a Darjeeling, um dos melhores filmes que vi em 2008. E já falava de Índia quando ninguém ainda ousava usar calça com o cavalo no joelho. Mas não foi só o Wes Anderson que gostava da terra do Gandhi. Lembra-se de Mantra do Nando Reis?

E antes do ex-Titã, os Beatles já adiantavam a moda.

Mas para ninguém dizer que não falei da novela…

Ah, e não podemos deixar de citar o Devendra Banhart, para finalizar o papo.

 

É arte: As cores tanto dos filmes Quem quer ser um milionário? e Viagem a Darjeeling como da novela. Se a Índia for mesmo colorida assim, ouso dizer que os indianos fazem uso da cor tão bem quanto Albers. Comentário ousado esse, hein? Quem discorda pode comentar, por favor.

É fato: Essas músicas são boas para ouvir duas ou três vezes no máximo. Depois dá um cansaço e te deixam numa irritação.

estilo… indie?


 

Todos sabem que sou da turma do banquinho e vilão, do sax e até de um bom pandeiro tocado numa roda. E por ter pai nordestino, não dispenso uma zabumba, um triângulo e uma sanfona. Mas, por esses dias, reparei o considerável número de músicas classificadas como “indie” no meu itunes. E o que é esse tal “indie”?

 

Dentre os classificados neste estilo estão: a canadense, Feist; a dupla norueguesa, Kings of Convenience; e a dupla inglesa do Psapp. Para mim, a Feist era pop; Kings of Convenience, algo mais… acústico; e Psapp, um eletrônico bem levinho (pois eu não gosto de bate-estaca). Mas que sonoro engano. No itunes, todos eles se resumem a um único estilo: indie!

 

Então, resolvi perguntar às meninas, que trabalham comigo e gostam desses mesmos artistas: “Gente, o que é esse tal indie?” Mafê: “Ah, é uma música que você canta balançando a cabeça e batendo na perna”, e fez a tal dancinha. Rosana: “Ah, é um eletrônico, pop, rock, alternativo”. Eu: :-/. Vendo que dali ninguém saberia me explicar, o Renato resolveu entrar na conversar e definir: “Primeiro, indie é um movimento, não estilo. O indie vem de independent. Começou na Inglaterra, com as bandas de rock independente.”

 

Mas eu não gosto de rock! O máximo que eu escuto de guitarra-elétrica e bateria são: The Beatles, Elvis, Los Hermanos (a última fase) e o cd “Nove Luas” dos Paralamas do Sucesso. E os artistas classificados como indie nem bateria e guitarra-elétrica utilizam. Mas para tudo hoje existe a wikipédia: “indie, do inglês é a abreviação (no diminutivo) de independent (em português, independente), se aplica, na indústria de artes e performance, para os músicos, produtores e artistas que ainda não tem contratos de press and distribution (PD, ou imprimir e distribuir) e lançam os seus projetos independentemente. […] O termo entrou em uso no início da década de 1980, quando muitos músicos e produtores atuaram independentemente para entrar na indústria comercial.”

 

Bem, pelo que eu entendi qualquer música pode ser indie. Teatro Mágico poderia se classificar como indie se quisesse, não? O fato é que Feist, Kings of Convenience e Psapp (indie ou não), cada um ao seu estilo, têm, em comum, melodias delicadas. São músicas para quase todos os momentos – com algumas dá até para fazer a dancinha da Mafê. Mas eu diria que são especialmente para se ouvir sozinho. Aquelas que acompanham madrugas na frente do computador, a ida para o trabalho e a volta para casa – ou que você põe no último volume para cantar limpando o seu quarto.

 

Fico devendo um post para falar mais sobre cada artista.

 

É arte: todas as faixas da seleção que fiz na fita acima. Clique nela ou aqui para conferir.

É fato: é muito difícil encontrar os cds desses artistas no Brasil. E quando acha, é muito caro.