o útero do mundo


Meus amigos, que não frequentam tanto museus e galerias quanto eu, sempre me dizem: é porque eu acho tão difícil. Realmente, tem mostra que é osso. Tem artista difícil. Tem obra complexa. Mas tem curador, meus amigos, que escreve textos para ninguém ler. E que eu duvido que ele mesmo leia o que escreveu. Mas aí a gente encontra pessoas como a Veronica Stigger pelo caminho.

Ela escreve textos ótimos sobre arte sem ser hermética e esclarece como ninguém o seu pensamento curatorial. No vídeo abaixo ela discorre sobre uma das três partes da exposição “O Útero do Mundo”, no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. São 35 minutos que vão dispensar qual quer palavra minha depois (mas eu vou escrever mais um parágrafo. Há!)

Depois de ver esse vídeo, foi como passear no parque. Toda a seleção de obras (passando por uma das primeiras gravuras da Regina Silveira, cof-cof, passando por Cláudia Jaguaribe, Otto Stupakoff, Leonilson, German Lorca, Orlando Britto, Sandra Cinto e outros) fez total sentido. A escolha das obras se encaixam perfeitamente no discurso bem elaborado da curadora. Não fica ponta sem nó. Então, eu recomendo, veja o vídeo e não perca a mostra que vai até 18 de dezembro.

:: O Útero do Mundo. MAM, Avenida Pedro Álvares Cabral  – Parque Ibirapuera – São Paulo. 3a./dom. das 10h às 18h. tel.: 5085-1300. Até 18 de dezembro.

o mundo mágico de escher


Eu tenho sérios problemas quando transformam exposições de arte em parques de diversões. Acho essa história de querer explicar o trabalho dos artistas por meio de engenhocas interativas uma bobagem. Ok. Estou sendo um tanto ríspida. Mas é que fiquei revoltada quando fui à exposição O Mundo Mágico de Escher, no CCBB-SP.

Ninguém precisa de um monte de parafernália de espelhos para entender como funciona a perspectiva. O próprio trabalho de Escher já uma aula e tanto sobre ilusões ópticas. Ninguém precisa ficar interagindo com maquetes bizarras para entender técnica do gravurista.

Por que não deixar as pessoas ficarem instigadas com suas gravuras e elas mesmas interagirem com as obras reais e tirarem suas conclusões? Em uma reprodução de um texto de Escher na parede, ele diz:

É preciso haver um certo mistério, mas que não seja imediatamente aparente.

Pois é, pena que os curadores não se tocaram disso e ficaram tentando decifrar todo o mistério do trabalho do artista, que já deixa todas as suas intenções bem aparentes. Bastava olhar com atenção.

É arte: as  92 obras, entre gravuras originais e desenhos que estavam em exposição junto das traquitanas inventadas pela curadoria.

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É fato: a arte pode ser para todos sem precisar ser banal.

O Mundo Mágico de Escher – Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, Centro). Tel. (011) 3113-3651. De ter. a dom., das 9h às 20h. Até 17/7. Grátis.

 

ocupação palatnik


Hoje, 10/01, é o último dia para visitar a exposição Ocupação Palatnik, no Itaú Cultural. A mostra é pequena porém precisa. Para quem não conhece o artista é uma excelente oportunidade. No início, há um vídeo de Palatnik contanto um pouco de sua história: um pintor que deixou a tintas e passou a pintar com luzes e engrenagens. A primeira vez que vi uma obra do artista foi em 2002, também no Itaú Cultural. Na época, com 15 anos, lembro de ter pensado: “Ele é um Miró com movimento”. Oito anos depois, quando vi novamente o trabalho do artista a mesma frase me veio a cabeça – mesmo em suas obras estáticas. As telas da série Progressão, um de seus trabalhos mais recente, me lembram os movimentos das cordas do piano – um silêncio musical. A mostra também traz um aparelho Cinecromático, objetos da série Mobilidade, dois Objetos cinéticos entre outros.

É arte: para realizar suas obras o artista utiliza muita matemática e outros conhecimentos de mecânica adquiridos em cursos que fez em Telaviv, nas escolas Herzlla e Montefiori, esta última de especialização em motores de explosão. No entanto, toda ciência exata utilizada para criar desaparece quando se vê a obra pronta. Fica apenas o deslumbre.

É fato: seu aparteliê, como ele chama o apartamento onde vive e trabalha, lembra um quartinho de bagunça. Fica difícil imaginar como o artista se encontra naquele lugar. Mas pensando bem, seu trabalho também é um pouco assim: apesar do rigor técnico, seus objetos causam uma bagunça nos nossos sentidos. Assim como o ambiente onde Palatnik vive.

:: Ocupação Palatnik Itaú Cultural –  Avenida Paulista 149 – Paraíso – São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô]. Tel.: 11 2168 1777. 3a./ 6a. 10h/21h, sáb./dom. 10h/19h. Grátis.

para entender mondrian