Jóquei


Foi um amor à primeira palavra. Estava na Flip, em 2015, vendo a última do mesa do e vento, a de Cabeceira, quando Matilde leu um poema. Eu infelizmente não vou lembrar qual, mas vou deixar no final um outro que ela leu em uma outra mesa. Foi um amor. Acho que fiquei de boca aberta e escorreu um fio de baba enquanto a ouvia e a via ler. Era tão envolvente. Foi impossível não mergulhar na leitura junto com ela. E olha que eu tenho muita dificuldade de prestar atenção em pessoas lendo. Depois disso saí da cadeira de plástico direto para livraria para comprar Jóquei, seu primeiro livro.

Quem entende de poesia diz que o livro não tem nada de mais. Mas ali em encontrei todo o sentimento que percebi na leitura de Campilho. A mesma intensidade, a mesma suavidade, a mesma sonoridade do seu sotaque português. ❤ Faz tempo que li esse livro, porém, ao ver uma entrevista da autora na internet, resolvi reler meus trechos favoritos que estão grifados:

“A alegria é um carro de bombeiros todo enfeitado de penas e cavalos bravos atravessando tudo”

“No que depender do amor, para além da paixão e para além do desejo: ninguém mais se afogará”

“Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e descobri: a raça humana é toda brilho”

Há muitos outros grifados e poemas inteiros marcados. Mas, nesse momento, senti vontade de destacar esses. Matilde tem um olhar atendo e doce para o cotidiano. Sua escrita é fluida e segue como um bate-papo. Não faz uso de muitos recursos estilisticos para engrandecer sua poesia. É como aquele bom café coado servido em copo americano. É simples, é bom e esquenta o coração.