Teresa Cristina canta Cartola e encanta Caetano


Quem me conhece sabe o quanto eu amo a Teresa Cristina. Basta ela anunciar um show que meu coração palpita. Um dos shows mais lindos que vi em 2016 foi o seu incrível Teresa canta Cartola. Desconheço interpretações mais lindas do poeta do que as dela nesse CD que foi o que eu mais ouvi no Spotify e no meu iPod. Ouça você também e veja ao vivo em abril quando ela se apresentar no Teatro Net.

Para coroar 2016, Caetano Veloso resolveu fazer um show para apresentar a cantora aos que a desconheciam – coitados. E lá veio um show mais lindo. Eu já fui à dois shows de Caetano, um dele já clássico com o Gilberto Gil, que derrete em simpatia. Caetano, no entanto, pareceu sempre fingir que cantava para uma plateia vazia. Tanto em Abraçaço e quanto em Dois Amigos, Um Século de Música, ele nem boa noite deu ao público que esteve lá.

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Para minha surpresa, porém, nesse show Caetano se transformou. Depois da presentação simpaticíssima de Teresa Cristina cantado o poeta da Mangueira, ele não poderia fazer feio com o público que estava derretendo de amor pela portelense. Caetano conversou com platéia quase que a cada música explicando um pouco sobre a escolha das conções. Muitas delas só conhecia pela voz da deslumbrante de Gal Costa — também um dos melhores shows que vi em 2016 –, como Tá Combinado, Meu Bem, Meu Mal e Força Estranha.

E para coroar o show mais simpático que vi de Caetano, antes do bis, ele volta com Teresa para fazer meu coração morrer de amor em duos lindos, como Tigresa e Miragem de Carnaval. E, pra mim, ficou claro: o que faz um show se tornar grande são vozes maravilhosas, canções incríveis, violões afinadíssimos — Teresa canta em companhia do talentoso Carlinhos Sete Cordas — e a simpatia. Porque o que a gente quer é interagir e ouvir causos além da música boa. Nem precisa de telão de led e outras pirotecnias. Basta sorrir pra mim que vou sorrir de volta. E voltar n vezes ao show. Como acontece com a Teresa.

 

 

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jazz na fábrica: michael blake


No terceiro ano da faculdade, uma professora colocou um CD do Milles Davis para tocar durante uma aula e disse para prestarmos atenção na conversa dos instrumentos. O sax que conversava com a bateria, que levantava bola para o piano que concordava com o baixo. Eu não lembro a finalidade disso, mas o jazz passou a ser ouvido de outra forma por mim. Sempre prestando a atenção nessas conversas. No seguinte, um outro professor estava se desfazendo de uns CDs e entre eles estava Time Out, com o quarteto de Dave Brubeck e que contava com a execução de Take Five, melhor música do universo. Mal sabia que aquele era um caminho sem volta no mundo do jazz e que esse CD seria a trilha de muitas noites e encontros em casa.

Antes do último sábado, eu só tinha visto bandinhas de jazz tocando em bares. O que já me agradava muito. Mas que tocavam repertórios conhecidos de Milles, Chet Baker e Brubeck. Pela primeira vez, vi um compositor de jazz tocando ao vivo com sua banda e pude finalmente ver a conversa entre os instrumentos no festival Jazz na Fábrica, no Sesc Pompeia. O canadence Michael Blake, considerados uns mais inventivos saxofonistas do jazz atual, tocou com seu quarteto musicas composta por ele mesmo. Embora o sax seja a voz de um conjunto de jazz, todos ali tiveram seus momentos epifânicos com seus instrumentos.

Simpático, Michael Blake conversou com público e passou a bola com maestria aos seus companheiros, Ben Allison, no contrabaixo; Frank Kimbrough, piano; e eu esqueci o nome do baterista. #gafe Quem souber por favor me avisa para eu corrigir aqui. Como eu não sou uma profunda conhecedora de jazz, vou deixar vocês com o vídeo de Blake sua banda tocando na notei de sábado.

 

 

O próximo fim de semana é o ultimo do festival Jazz na fábrica no Sesc Pompeia e as atrações são:

Choperia Sesc Pompeia
LayerZ – Quinta (27), 21h30.
Orquestra Atlântica –  Sexta (28), 21h30.
Marlena Shaw e Bixiga 70 – Sábado (29), 21h30, e domingo (30), 19h.

Teatro do Sesc Pompeia
Laurent de Wilde – Quinta (27), 21h.
Barcode Quartet – Sexta (28), 21h.
Tânia Maria e Armando Marçal – Sábado (29), 21h, e domingo (30), 19h.

Gal Costa – Estretosférica


Fui ao show da Gal achando que veria apenas mais um clássico da MPB. Mas foi a mais linda e forte surpresa de muitos shows. Gal, além de linda e sexy aos 70 anos, mostra um vigor impressionante no palco e deixa claro que o que é bom não envelhece e não fica parado no tempo. Com uma roupagem nova nos clássicos, como 2 e 2, Cabelo e Não identificado, a cantora mostra que não parou no tempo e está atenta aos novos talentos. Uma banda com músicos incríveis, um repertório bem equilibrado e um show pra ser lembrado a vida inteira.

Um gostinho para quem não foi:

chico


Falem bem, falem mal, falem o que quiser, Chico é Chico. E como o título do seu mais recente trabalho: não precisa de complemento. Seus últimos CDs não são os melhores que já fez, mas também não são os piores. Acho “Chico” melhor do que “Cidades” e “Carioca” (pra mim, esses dois são praticamente o mesmo CD só que em dois volumes). Me parece que, nesse álbum todo negro, há um Francisco mais solto, mais permissivo a experimentação do que nos dois anteriores. Vide seu plano de divulgação online. Uma das melhores sacadas da indústria fonográfica na era da nuvem.

Confesso que gosto mais das músicas que já conhecia – Sou eu e Se eu soubesse –, mas as outras não me desagradam, acho Sinhá e Tipo um baião muito boas. E por isso eu fui ao show. Mentira. Fui ao show porque queria encontrar o mito. Esse poderia ser o pior CD dele que eu iria mesmo assim.

Mas acontece que eu sorri para ti… Bastou o Chico entrar, cantar e, durante a música, sorrir de canto para que eu desmoronasse. Ahhhhh… O palco não é o lugar em que ele se sente mais confortável. Fica claro. Mas o fato é que ele cantou, deu boa noite, sorriu, deixou todo mundo cantar Teresinha (foi de arrepiar), deu um bis, o público pediu e ele deu outro bis e se despediu de todo mundo que estava à beira do palco espalmando as mãos dos fãs. E ele poderia não ter feito nada disso. Só de ter o meu primeiro encontro com Chico já estava pra lá de bom. Ver aquele homem, autor de Beatriz, Cálice, Anos Dourados, Geni, Eu te amo, Pedro Pedreiro (que eu tenho certeza que ele fez pra mim) e muitas outras músicas e livros que permeiam a minha vida, era a realização de um sonho. Porque é aquela coisa que Walter Benjamin já disse e todo mundo reproduziu, o ao vivo tem a áurea que nenhum CD, DVD ou fotografia conseguiria reproduzir. A emoção de ver o Chico ali, compartilhando o mesmo espaço e ar, foi tamanha que mesmo que ele estivesse mudo já seria maravilho. E ele estava rouco.

É arte: A simplicidade do cenário que reproduzia obras de Niemeyer, Portinari e outros artistas.

É fato: fiquei sem ar quando o Chico cantou o rap do “Cálice” feito pelo Criolo. S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L.

seu chico – show


Há quase dois meses, eu não ia para a farra com as minhas queridas amigas. Quando digo farra, lê-se: dançar, cantar e rir muito. Mas muito mesmo, até perder a força nas pernas e a voz acabar. Depois de um karokê na Liberdade, eu e a intrépida Izabel partimos para a rua Augusta para ver o show da banda Seu Chico. E QUE SHOW. Até a Bel, que não gosta muito o compositor e cantor mais amado da MPB, curtiu. A banda faz versões moderninhas – sem apelar para sons eletrônicos – de clássicas canções chicobuarqueanas. Os garotos de recife arrasam na presença de palco, percussão, violão e o Vítor faz um show a parte nos teclados. O garoto é fera (veja o vídeo acima). Fiquei tão encantada com a banda que pretendo marcar presença em seu próximo show em São Paulo. Anotem na agenda: 23, sábado, à 1 AM, no StudioSP. Vale muito a pena conferir. Enquanto isso, um gostinho. Esperando, Esperando…

É arte: a programação da casa Comitê, dos mesmos donos do Studio SP. Sempre capricham trazendo ótimos shows de MPB e Samba. Lá, já vi a Velha Guarda da Mangueira cantando com a Leci Brandão. Foi de chorar de emoção.

É fato: Chico Buarque nunca sai de moda. =) A Izabel adorou cantar Geni e o Zepelim, e promete voltar no próximo show do Seu Chico.

jorge drexler – amar la trama (show)


show amar la trama - jorge drexler

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Creio que tive um momento epifânico na noite passada. Eu tirei a Soledad do armário e fui com ela ao show do Jorge Drexler. Porque ya he dejado que se empañe la ilusión de que vivir es indoloro y creo que pasaremos juntos temporales. Eu não chorava em um show desde 2005. Aliás, eu não lembro de ser tão chorona na vida. Sempre me orgulhei de ser uma mulher sem lágrimas. Mas, na segunda música, eu não aguentei, chorei cantando Una canción me trajo hasta aqui, que não é uma música triste. Longe disso. Talvez a canção que me levou até lá foi La edad del cielo. Porque eu sei que no somos lo que quisiéramos ser, solo un breve latir en un silencio antiguo con la edad del cielo. Nessa, eu parecia uma criança sem a chupeta. Cuando de pronto oí unas alas batir, como si un peso comenzara a ceder, se va, se va, se fue… Si todo empieza y todo tiene un final, hay que pensar que la tristeza también se va, se va, se fue… E eu comecei a me sentir muito bem. Acho que acabaram os 12 segundos de oscuradad e me dei conta que a vida é composta por apenas tres mil millones de latidos e estoy aquí de paso, yo soy un pasajero. E não tem como, viver é ir y venir, seguir y guiar, dar y tener, entrar y salir de fase e temos que amar la trama más que al desenlace.

Um aperitivo do show. Mas antes um aviso: as imagens não são muito boas porque foram feitas com a minha câmera fotográfica Canon Powershot e estava a uns 20 metros de distância do palco.

É arte: a simpatia de Jorge Drexler. Não imaginava que o cantor fosse tão extrovertido. Sua interação com o público foi divina. Parecia que ele era amigo íntimo de todos que estavam ali. Um querido!

É fato: o show tem momentos muito dançantes e ficava quase impossível ficar quieta na cadeira.

:: Amar lá trama (o show). Via Funchal (R. Funchal, 65, Vila Olímpia, 2144-5444). R$ 70/R$ 200. 23/07.

virada cultural paulista: yann tiersen em piracicaba


O fabuloso destino de Amélie Poulian foi durante muito tempo o meu filme favorito. Ele ainda está entre os meu favoritos por zilhões de motivos, entre eles, a trilha. Em 2006, as músicas de Yann Tiersen foram as minhas melhores amigas. O motivo mais sublime para eu acreditar que a vida valia a pena. Ouvir aquelas melodias me confortavam. Baixei toda a discografia do compositor. E cada álbum era melhor do que o outro. As músicas conversam com a minha alma.

Mas só ouvir os CDs era pouco. Eu precisa ver quem era esse mágico, esse encantador de almas – que, além de tudo, pelas fotografias que tinha visto, era muito gato! Já tinha tentado vê-lo quando ele fez um show no Sesc-Consolação. Mas os ingressos acabaram antes das 12h. Não preciso dizer que fiquei putíssima? Quando  soube, em Janeiro, que o Yann Tiersen faria um show aqui no Brasil novamente, logo comecei a fazer planos. Só não imaginei que eles poderiam dar certos. O bom é que dessa vez eu tive uma ajudante, minha amiga querida e linda Wanise.

Lá fomos nós para Piracicaba para tentar ver o show. Chegando lá, surpresa: tinham apenas 500 e poucos ingressos para uma fila formada por no mínimo 3 mil pessoas. Desânimo? Não. Já tinha colocado na minha cabeça que só sairia daquela cidade depois de ver o show do Yann. Tentei ser má-educada e furar fila, mas fui denunciada por um cara de boina rosa que morava em Osasco (Alguém me explica por que o fulano da cidade vizinha da provinciana Barueri estava lá para causar na minha vida?). Então, eu bolei mais um plano: fui para porta de entrada do teatro e comecei a fazer o que já tinha aprendido tão bem com os queridos ambulantes do trem meu de cada dia: fui pedir encarecidamente para todos que entravam um mísero ingressinho. Afinal, eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas não, eu estava ali pedindo só um ingresso  para ver o show do querido Yann. E não é que funcionou? Milagrosamente, apareceu uma moça que não só tinha um ingresso, mas dois e deu para Wanise e para mim. E o melhor, eles ainda eram para segunda fileira.

O show foi só emoção. Yann não tocou minha música favorita, muito menos as clássicas de Amélie Poulain. Mas fez um show pulsante. O músico é daqueles que tiram as notas do instrumento com muita emoção e  sentimento. Ele canta, toca de olho fechado, parece estar em transe. Um transe contagiante que enfeitiça toda a platéia que começa a movimentar a cabeça de acordo com as notas. Um pouquinho pra vocês:

É arte: todas as músicas do Yann são pura arte, mas tem uma que eleva minha alma de uma maneira que não consigo explicar. Por isso, até, a escolhi para encerrar o vídeo de apresentação do meu TCC.  Escutem e me digam se ela não toca algo lá no seu âmago:

É fato: as pilhas da sua câmera fotográfica descarregarem nos primeiros dois minutos de show é revoltante. Sorte que eu tenho boa memória e hoje existe youtube.

a única sobrevivente