seu chico – show


Há quase dois meses, eu não ia para a farra com as minhas queridas amigas. Quando digo farra, lê-se: dançar, cantar e rir muito. Mas muito mesmo, até perder a força nas pernas e a voz acabar. Depois de um karokê na Liberdade, eu e a intrépida Izabel partimos para a rua Augusta para ver o show da banda Seu Chico. E QUE SHOW. Até a Bel, que não gosta muito o compositor e cantor mais amado da MPB, curtiu. A banda faz versões moderninhas – sem apelar para sons eletrônicos – de clássicas canções chicobuarqueanas. Os garotos de recife arrasam na presença de palco, percussão, violão e o Vítor faz um show a parte nos teclados. O garoto é fera (veja o vídeo acima). Fiquei tão encantada com a banda que pretendo marcar presença em seu próximo show em São Paulo. Anotem na agenda: 23, sábado, à 1 AM, no StudioSP. Vale muito a pena conferir. Enquanto isso, um gostinho. Esperando, Esperando…

É arte: a programação da casa Comitê, dos mesmos donos do Studio SP. Sempre capricham trazendo ótimos shows de MPB e Samba. Lá, já vi a Velha Guarda da Mangueira cantando com a Leci Brandão. Foi de chorar de emoção.

É fato: Chico Buarque nunca sai de moda. =) A Izabel adorou cantar Geni e o Zepelim, e promete voltar no próximo show do Seu Chico.

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uma noite em 67


Eu não sou daquelas “saudosistas” que dizem: ai como eu queria ter vivido em 19… Eu gosto de ter nascido em dezembro de 86; ser geração Y; ter vivido minha infância nos anos 90 junto com a Xuxa e a TVCultura; e passado minha adolescência batendo papo na Sala Uol de Barueri, no MSN e fazendo um blog  (o já desativado, Expresso.K). Mas, minha amiga Vanessa, que viu comigo o documentário de Ricardo Calil e Renata Terra, gostaria de ter vivido aquela noite em 67.

Eu sou fã incondicional de alguns os cantores que aparecem ali: Gil, Caetano, Chico, Edu… Eles não saem do Bruce (meu iPod). Ponteio foi minha música favorita durante muito tempo. Roda Viva, Alegria, Alegria e Domingo no parque estão entre as melhores canções, na minha humilde opinião, de seus respectivos compositores. O documentário é muito bom – apesar de sempre achar que dá para enxugar uns minutinhos.

O filme é bom especialmente para tirar essa nostalgia do que não foi vivido das pessoas mais jovens como eu. A visão dos protagonistas do festival é muito clara: galera, aquilo foi apenas uma noite na vida deles, uma noite. É assim que eles veem. Claro que se sentem orgulhosos por terem participado ainda jovens de um momento tão importante para a TV e música brasileira. Mas essa importância veio com o tempo. No ao vivo, eles queriam apenas fazer música. Gil, mais do que todos, queria experimentar sons sem a quadradice de ter que se encaixar num ou noutro grupo. Chico ficou triste ao saber que, mesmo moço, 23 anos, era velho. E Edu já levava muito a sério o que fazia, pois pensava que a vida de músico poderia acabar em instantes.

A TV Record, muito perspicaz, tirou proveito de tudo isso. O canal simplesmente tinha todos os tops da MPB e da Jovem Guarda trabalhando lá. A música era a válvula e escape naqueles anos “de chumbo”. E o público participava ativamente daqueles Festivais. Como disse Edu Lobo, os artistas eram os cavalos de aposta do povo. Eu diria que era algo semelhante ao acontece com o BBB hoje. MINHA MÃE , QUANTA DIFERENÇA! Antes que eu faça mais uma comparação infeliz, porém verdadeira, vou parar por aqui. BEIJOS! Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar… Eu tomo uma coca-cola, ela pensa em casamento, uma canção me consola… La, la, la…

É arte: as músicas. Quem dirá o contrário?

É fato: como bem observou a Vanessa: Cidinha Campos, Reali Jr e Randal Juliano eram os Faustões dos Festivais. Puta repórteres malas!

É fato2: Chico Buarque é a Regina Silveira. Até me assustei como o Chico me lembrava a Regina em minhas entrevista com ela. Até nessa negação do passado.

:: Uma noite em 67 – Renato Terra e Ricardo Calil. Documentário. Brasil, 2010. 85 minutos.

vida


“Viver é sucinto”, dizia Leminki. Na peça Vida, o diretor  Marcio Abreu queria travar um diálogo com a obra do poeta. Mas, ao meu ver, não conseguiu. Não que eu seja uma especialista em Leminski ou coisa do gênero. LONGE DISSO. Já li, porém, alguns livros do autor e não enxerguei um vírgula dele no espetáculo. A peça não consegue ser sucinta, e sim, prolixa. Voltas e mais voltas e nenhuma conclusão. Diálogos que se repetem, repetem, repetem… Eu cortaria facilmente 1h. Um história cíclica, chata, com alguns bons momentos de riso, só. Pensando nisso, talvez o título tenha tudo a ver, afinal, a vida é um pouco assim. Histórias que se repetem, muitos momentos de tédio e alguns felizes.

Numa sala fechada, em que faz calor, quatro pessoas ensaiam uma apresentação. A convivência forçada faz com que eles se relacionem, revelando o comportamento e dilemas de cada um. A clichê mulher TPM que não para de falar. O homem em crise – de idade ou de sexo, não entendi. Um pessoa mais reservada que prefere sempre se manter em silêncio. Outro com características de apaziguador e mais sensível, que não sabe se vai ou se fica. Ali, ninguém se entende, diálogos não se completam e tudo sempre acaba sempre no mesmo: o nada. Alguma coisa semelhante em sua vida? Provavelmente, sim. Muitas das cenas foram colhidas das vidas dos atores. Mas ninguém precisa perder quase duas horas de seu período existencial ouvindo zilhares de vezes: “O que eu digo te interessa?”, “Tá to mundo aqui?”, “O que brilha?”. Viver já é bastante cansativo, não precisamos de outra vida tão entediante.

É arte: de qualquer modo, é sempre bom entrar em contato com a poesia de Paulo Leminski. Vejam esse vídeo e entendam o que ele pensava sobre a linguagem. Acho que ele concordava com Baulaire: “É preciso estar-se, sempre, bêbado”, mesmo que seja de poesia.

É fato: o primeiro contato com essa “droga” e com o poeta aconteceu quando ainda era tica. Polonaise, ao lado de Trem de Ferro, foi meu poema favorito durante toda infância, quando eu ainda não fazia idéia do que era a poesia.

:: Vida, de Marcio Abreu. Com Giovana Soar, Nadja Naira, Ranieri Gonzalez e Rodrigo Ferrarini. 115 minutos. Comédia. Sesc-Santana (v. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, tel. 2971-8700). R$ 5/ R$ 20. 6a./sáb.  21h e dom. 19h30. Até 08/08.

erasmo carlos – 69 anos


Sempre, sempre fui mais mais Erasmo do que Roberto. Para mim, o Tremendão era mais bonito, mais divertido, tinha a melhor voz e compunha as melhores músicas. Não sei por que o outro virou rei. Hoje, Erasmo Esteves completa 69 anos e esse blog presta uma humilde homenagem relembrando alguns de seus clássicos e sua mais nova canção “Jogo Sujo”, em que ele volta ao ritmo que aprendeu nos lps do Elvis. Parabéns, Tremendão!!!

virada cultural paulista: yann tiersen em piracicaba


O fabuloso destino de Amélie Poulian foi durante muito tempo o meu filme favorito. Ele ainda está entre os meu favoritos por zilhões de motivos, entre eles, a trilha. Em 2006, as músicas de Yann Tiersen foram as minhas melhores amigas. O motivo mais sublime para eu acreditar que a vida valia a pena. Ouvir aquelas melodias me confortavam. Baixei toda a discografia do compositor. E cada álbum era melhor do que o outro. As músicas conversam com a minha alma.

Mas só ouvir os CDs era pouco. Eu precisa ver quem era esse mágico, esse encantador de almas – que, além de tudo, pelas fotografias que tinha visto, era muito gato! Já tinha tentado vê-lo quando ele fez um show no Sesc-Consolação. Mas os ingressos acabaram antes das 12h. Não preciso dizer que fiquei putíssima? Quando  soube, em Janeiro, que o Yann Tiersen faria um show aqui no Brasil novamente, logo comecei a fazer planos. Só não imaginei que eles poderiam dar certos. O bom é que dessa vez eu tive uma ajudante, minha amiga querida e linda Wanise.

Lá fomos nós para Piracicaba para tentar ver o show. Chegando lá, surpresa: tinham apenas 500 e poucos ingressos para uma fila formada por no mínimo 3 mil pessoas. Desânimo? Não. Já tinha colocado na minha cabeça que só sairia daquela cidade depois de ver o show do Yann. Tentei ser má-educada e furar fila, mas fui denunciada por um cara de boina rosa que morava em Osasco (Alguém me explica por que o fulano da cidade vizinha da provinciana Barueri estava lá para causar na minha vida?). Então, eu bolei mais um plano: fui para porta de entrada do teatro e comecei a fazer o que já tinha aprendido tão bem com os queridos ambulantes do trem meu de cada dia: fui pedir encarecidamente para todos que entravam um mísero ingressinho. Afinal, eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas não, eu estava ali pedindo só um ingresso  para ver o show do querido Yann. E não é que funcionou? Milagrosamente, apareceu uma moça que não só tinha um ingresso, mas dois e deu para Wanise e para mim. E o melhor, eles ainda eram para segunda fileira.

O show foi só emoção. Yann não tocou minha música favorita, muito menos as clássicas de Amélie Poulain. Mas fez um show pulsante. O músico é daqueles que tiram as notas do instrumento com muita emoção e  sentimento. Ele canta, toca de olho fechado, parece estar em transe. Um transe contagiante que enfeitiça toda a platéia que começa a movimentar a cabeça de acordo com as notas. Um pouquinho pra vocês:

É arte: todas as músicas do Yann são pura arte, mas tem uma que eleva minha alma de uma maneira que não consigo explicar. Por isso, até, a escolhi para encerrar o vídeo de apresentação do meu TCC.  Escutem e me digam se ela não toca algo lá no seu âmago:

É fato: as pilhas da sua câmera fotográfica descarregarem nos primeiros dois minutos de show é revoltante. Sorte que eu tenho boa memória e hoje existe youtube.

a única sobrevivente

teresa cristina – melhor assim


Eu não acredito em acaso, mas hoje, por acaso, eu fui ler a folha online de manhã. Por acaso, li uma reportagem sobre o Roberto Silva. Por acaso, fiquei ouvindo samba a manhã toda. Por acaso, a minha amiga Izabel entra no gtalk. Por acaso, ela disse que não queria ficar em casa. Por acaso, eu também não queria (geralmente não saio no sábado e domingo, assim, seguidos). Por acaso, eu fui olhar no guia da folha e vi que tinha shows da Teresa Cristina e dos irmãos Caymmi. Por acaso, a Izabel se animou em ir ao da Teresa Cristina. Detalhe: Izabel é pop e não gosta de samba. Detalhe: no site dizia que os ingressos estavam esgotados. Detalhe: chegando lá havia apenas dois ingressos e de cadeiras juntas. E se tudo isso não bastasse, a cantora parecia estar cantando pra mim. Ou seja, eu tinha que ter ido. E ADOREI! Até “História de Lily Braun”, que eu escuto todos os dias e não é samba, a danada cantou.

Além de simpática, Teresa tem uma banda de fazer inveja a muitas cantoras. O repertório reúne o melhor do samba contemporâneo, com composições de Edu Krieger e Arlindo Cruz, a clássicos, como “A felicidade”, de Vinicus – eu sei que tá mais pra bossa nova, mas, acompanhada pela cuíca e cavaquinho, a canção ficou maravilhosa. Impossível não notar a influência dos mestres do samba no show. Noel, Cartola, Clara Nunes… estavam todos presentes ali. Um show para ninguém, amantes e não-amantes do samba, botar defeitos Até a Izabel gostou.

É arte: os imprevistos que acontecem em shows. Uma senhorinha, dessas que lembram baianas de escola de samba, descambou a sambar na cadeira. Teresa não resistiu e a chamou pra perto do palco. A velhinha deu um show. Veja:

É fato: assistir a um show de samba sentada na cadeira é uma penitência. Ai que vontade louca que dava de levantar e mexer as cadeiras.

:: Teresa Cristina – Melhor assim: Sesc-Pinheiros. R. Paes Leme, 195 – Pinheiros. Tel.: 3095-9400. R$ 5 a R$ 20.